Ministros serão interrogados sobre acusações de Moro a Bolsonaro

1 / 2
O presidente Jair Bolsonaro (E) e o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, durante cerimônia de lançamento do Projeto Frente Brasil, de redução da violência em cidades brasileiras, no Palácio do Planalto, em Brasília, 29 de agosto de 2019

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou nesta terça-feira (5) que três ministros sejam interrogados como parte da investigação sobre as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ao presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir em investigações policiais.

O ministro do STF Celso De Mello acolheu um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para interrogar o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno; o ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto; e o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos.

Bolsonaro e Moro travam um embate público desde 24 de abril, quando o então ministro da Justiça, figura-chave da Operação 'Lava Jato', apresentou sua renúncia, argumentando defender a autonomia da Polícia Federal.

O ex-ministro alegou que Bolsonaro exonerou, sem causas reais, o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e que antes tinha lhe manifestado o interesse em ter uma pessoa de confiança no cargo para estabelecer contato direto.

A Procuradoria-Geral da República ordenou uma investigação e Moro foi convocado a depor no sábado passado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Nesta terça, vários veículos de imprensa tiveram acesso ao conteúdo do depoimento de mais de oito horas. No documento, Moro menciona os três ministros como testemunhas e mediadores da discussão com o presidente.

Moro afirmou, segundo o texto, que "o Presidente lhe relatou verbalmente no Palácio do Planalto que precisava de pessoas de sua confiança, para que pudesse interagir, telefonar e obter relatórios de inteligência".

No documento de dez páginas, Moro também afirma que Bolsonaro queria decidir quem comandaria a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, estado onde ele e sua família fizeram a vida política.

Moro disse ter recebido de Bolsonaro uma mensagem que "tinha mais ou menos o seguinte teor: 'Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro'", diz o texto.

"Vi os pedacinhos e em nenhum momento diz que eu cometi crime", alegou na noite desta terça Bolsonaro, em alusão ao depoimento de Moro.

O ministro Celso De Mello autorizou também interrogar seis chefes de polícia e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que teria sugerido a Moro aceitar a saída de Valeixo em troca de ser nomeado para o STF.

O magistrado determinou que a investigação seja pública e que a Presidência entregue uma cópia do vídeo da reunião ministerial na qual Bolsonaro teria pedido a Moro para trocar a direção da PF no Rio de Janeiro e Valeixo na direção-geral, assim como relatórios de Inteligência e informação da Polícia Federal.

Moro foi o ministro mais popular do governo Bolsonaro.