Ministros do STF criticam eventual indicação de Bia Kicis para CCJ da Câmara

Carolina Brígido
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Cleia Viana/Câmara dos Deputado

BRASÍLIA — Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos em caráter reservado pelo GLOBO fazem uma avaliação negativa sobre a eventual indicação da deputada Bia Kicis (PSL-DF) para presidir a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara. A possível escolha da parlamentar é vista no Supremo como uma afronta à Corte, já que ela participou de manifestações que pediam o fechamento do tribunal e defendeu, em discurso, intervenção militar — o que afronta a Constituição Federal.

Por sua participação em atos antidemocráticos no ano passado, Bia Kicis é investigada em inquérito que tramita no STF sobre o assunto. O relator, ministro Alexandre de Moraes, já determinou o depoimento da parlamentar, que foi interrogada no ano passado pela Polícia Federal. Ela também é investigada em outro inquérito conduzido por Moraes, que investiga a disseminação de ataques e notícias falsas sobre ministros do Supremo.

Kicis já defendeu que militares fechassem o STF, pediu o impeachment dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de ter xingado do ministro aposentado Celso de Mello — que, na época, era relator de um inquérito que tramita na Corte para investigar se o presidente Jair Bolsonaro interferiu indevidamente nas atividades da Polícia Federal.

A parlamentar ainda é autora de uma proposta de emenda à Constituição para antecipar a aposentadoria dos integrantes da corte para 70 anos de idade. Hoje, a aposentadoria compulsória ocorre aos 75 anos. Se a ideia de Kicis vingar, Bolsonaro teria direito a indicar mais ministros do tribunal até o fim do seu mandato. A PEC atingiria diretamente os ministros Rosa Weber e Ricardo Lewandowski.