Minoria árabe é alvo do crime organizado em Israel

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Pessoas seguram cartazes em árabe dizendo "não à ocupação" durante uma manifestação de ativistas palestinos, israelenses e estrangeiros no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, em 31 de dezembro de 2021 (AFP/AHMAD GHARABLI) (AHMAD GHARABLI)

Sami Abu Shamsia revela seus pulsos enfaixados, as consequências dos ferimentos que sofreu de criminosos que o sequestraram em outubro, em meio a uma onda de crimes sem precedentes que afeta os árabes em Israel.

Este palestino de 47 anos passou cinco dias detido em Lod, uma cidade no centro com uma grande população árabe.

Os árabes de Israel, que representam 20% de sua população, são descendentes dos palestinos que permaneceram em suas terras quando o Estado de Israel foi criado em 1948.

"Eles me vendaram. Fiquei deitado no chão, com as mãos atrás das costas amarradas aos meus pés", disse ele.

Shamsia foi sequestrado porque os criminosos não encontraram seu irmão, quem teria uma dívida com gangues criminosas.

"Eu insisti que não pagaria uma dívida que não era minha", disse.

Aparentemente, sua teimosia levou à sua libertação cinco dias depois.

- "Um Estado dentro do Estado" -

De acordo com o Aman Center, uma organização que trabalha para conter a violência entre a comunidade árabe de Israel, 128 civis árabes morreram devido a essa onda de violência em 2021.

O mesmo grupo registrou 113 dessas mortes em 2020, 96 em 2019 e 67 em 2018.

A coalizão de governo do primeiro-ministro Naftali Bennett aprovou em outubro um plano de US$ 9,4 bilhões para melhorar as condições socioeconômicas de sua população árabe, que se sente discriminada.

Bennett garantiu que "um Estado dentro de um Estado" foi formado e disse que essas gangues possuem "uma quantidade de armas ilegais dignas de um pequeno exército".

Para o criminologista Walid Haddad, existem cinco grandes grupos do crime organizado controlados por famílias árabes no país, que aumentaram seu poder desde 2003.

Naquele ano, a tentativa fracassada de assassinato do notório mafioso israelense Zeef Rosenstein deixou três mortos no centro de Tel Aviv e levou o então primeiro-ministro Ariel Sharon a ordenar um ataque ao crime organizado no país.

Então, as gangues árabes, pagas pelas máfias israelenses, "começaram a preencher o vácuo de poder", disse Haddad à AFP.

E "decidiram concentrar suas atividades nas comunidades árabes, porque sabem que a polícia não se importa com o que acontece lá", acrescentou.

Para Haddad e outros especialistas, parte da violência se deve a empréstimos concedidos por essa máfia árabe, que oferece dinheiro rápido a concidadãos de origem palestina que não têm acesso a bancos israelenses.

Jaafar Farah, diretor do Centro pela Igualdade de Direitos na cidade israelense de Haifa, afirmou que "os bancos israelenses discriminam os cidadãos árabes".

Muitas vezes, "eles não lhe cedem crédito, então as pessoas recorrem a empréstimos com juros altos de gangues criminosas no mercado negro", explicou Farah.

Mas quem não pagar, "primeiro quebram suas pernas e depois os matam", acrescentou.

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