Miranda afirma haver indícios de fraude ‘muito maior’ na compra de testes de Covid

·2 minuto de leitura
Luis Ricardo Fernandes Miranda, head of imports of the Ministry of Health, left, and his brother, Deputy Luis Miranda, attend a hearing before the Senate for an investigation into the government's management of the COVID-19 pandemic, in Brasilia, Brazil, Friday, June 25, 2021. (AP Photo/Eraldo Peres)
Irmãos Miranda em depoimento à CPI da Covid na última sexta-feora (25). Foto: AP Photo/Eraldo Peres
  • Deputado compara com esquema de aquisição da Covaxin

  • Ele e o irmão deram informações sobre a irregularidade em depoimento à CPI da Covid

  • A operação, segundo ele, seria “100% fraudulenta”

Após revelações de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin em seu depoimento à CPI da Covid, na última sexta-feira (25), o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) disse no domingo (27) que a corrupção dentro do Ministério da Saúde pode ser “muito maior”.

Ele disse que seu irmão Luis Ricardo Miranda, que é servidor do ministério e atua na área de importação de insumos, encontrou indícios de uma operação “100% fraudulenta” na compra de testes de Covid-19. As revelações foram feitas em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

“Se existir algo realmente ilegal, não é só nessa vacina [Covaxin], é na pasta toda. O presidente [Jair Bolsonaro] demonstra claramente que não tem controle sobre essa pasta. Tem muita coisa que dá pra puxar e investigar, e descobrir algo em outra situação que vai ligar diretamente com a Covaxin. É o mesmo grupo [de pessoas dentro do ministério]”, disse o deputado.

Ele disse que o esquema não envolve só o Brasil. “Pelo que vejo aqui, é procedimento totalmente usando a Opas [Organização Pan-Americana de Saúde] para fazer a jogada, com dinheiro do Banco Mundial. Querem fazer uma compra gigantesca, altamente desnecessária”, disse.

Leia também:

O depoimento dos irmãos Miranda na CPI colocou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) próximo do esquema irregular de compras do imunizante indiano. De acordo com ele, o presidente mencionou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), que é líder do governo na Câmara, como possível mandante do esquema.

Eles falaram com o presidente em 20 de março, em uma conversa que teria durado 50 minutos e mencionado Barros logo no início.

“Esse pessoal, meu irmão, tá foda. Não consigo resolver esse negócio. Mais uma desse cara, não aguento mais”, teria dito Bolsonaro, de acordo com Luis Miranda.

Eles disseram ainda que o presidente não parecia estar ciente. “É como se a pasta [Ministério da Saúde] tivesse um dono, e não o presidente da República. É como se aquele ambiente ali não pertencesse a ele. Ele não conhecia o caso”, declarou.

De acordo com o deputado, o diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, indicado para a pasta pelo ex-deputado Abelardo Lupion e por Barros, é quem manda no ministério.

“Nada ali acontece se o Roberto não quiser. Tudo o que aconteceu, inclusive a pressão [para acelerar a compra da vacina] sobre o meu irmão, é sob a aprovação dele. Sem ele, ninguém faz nada. Isso é uma das únicas certezas que tenho”, explicou Luis Miranda.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos