Mirando Lula, campanha de Bolsonaro quer usar preconceito religioso contra Janja

Investida de Bolsonaro contra Janja é estudada para retirar votos de mulheres evangélicas em Lula. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Investida de Bolsonaro contra Janja é estudada para retirar votos de mulheres evangélicas em Lula. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

A campanha de televisão do presidente Jair Bolsonaro (PL) pode levar à televisão ataques à esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), associando a imgem da socióloga Rosângela da Silva, a Janja, às religiões de matriz africana, como Umbanda e Candomblé.

Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a ideia é expor Janja, como ela é conhecida, para tirar votos evangélicos de Lula, principalmente das mulheres.

Os estrategistas de Bolsonaro teriam encontrado uma oportunidade com uma fotografia em que Janja aparece ao lado de imagens como a de Xangô, um dos orixás da Umbanda e do Candomblé. A imagem foi publicada pela socióloga no Twitter, onde ela escreve “Saudades de vestir branco e girar, girar, girar…”.

Integrantes do governo acreditam que a imagem tem o potencial de desgastar Lula no eleitorado evangélico, já que muitos religiosos não vêem as religiões de matriz africana com bons olhos.

Na última terça-feira (9), a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que recentemente passou a ser utilizada na campanha de reeleição do marido, compartilhou um vídeo no Instagram em que Lula participa de uma cerimônia de candomblé na Assembleia Legislativa da Bahia.

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

As imagens associam a religião às "trevas". Michelle escreveu na legenda: "Isso pode né! Eu falar de Deus, não!".

A reação foi imediata, e a primeira-dama foi acusada de incentivar um discurso preconceituoso e de ódio, desrespeitando crenças diferentes da dela.

A ideia, segundo a colunista, é levar as imagens do ex-presidente e da esposa dele à televisão para ampliar o alcance do material que já circula pelas redes sociais.

Passou a ser uma prioridade da campanha do atual presidente tirar votos de mulheres evangélicas de Lula. Bolsonaro tem vantagem entre os homens da religião, com 48% das preferências, contra 28% do petista, segundo o Datafolha. Mas, entre as mulheres, ele empata com o principal adversário, na medida em que 29% escolhem o atual governante e 25% querem Lula, e outras 34% ainda não decidiram.

Janja já se manifestou nas redes sociais contra a investida bolsonarista. No dia da publicação de Michelle, ela escreveu no Twitter ter aprendido que “Deus é sinônimo de amor, compaixão e, sobretudo, de paz e de respeito”.

“Não importa qual a religião e qual o credo. A minha vida e a do meu marido sempre foram e sempre serão pautadas por esses princípios", afirmou a socióloga.