Miséria no entorno impacta foliões do Baixo Augusta

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Foliões que garantiram entrada no Festival do Baixo Augusta chegavam às centenas no início da tarde deste domingo (24) ao vale do Anhangabaú. A miséria do entorno, entretanto, agravada pela pandemia, contrastava com as fantasias e o clima de festa da multidão.

É inevitável circular pela região central de São Paulo sem cruzar com pessoas em situação de rua, com famílias inteiras vivendo em barracas. No Anhangabaú, estavam separadas da festa por um muro metálico, guardado ainda por orientadores de público com coletes rosa. GCMs também rondavam a área.

O festival conta com estrutura bancada pela iniciativa privada. Para entrar, foi necessário fazer um cadastro, gratuito e apresentar comprovante de vacinação com ao menos duas doses.

Na própria praça Ramos de Azevedo, ao lado do palco, havia ao menos dez barracas espalhadas pelo gramado. Em uma delas, Ana Paula Medrado da Cunha, 32, estava com os filhos de 2 e 10 anos, com a mãe, o marido e uma amiga.

A família tinha uma loja de roupas em Salvador (BA), que acabou fechando durante a pandemia. Faz dois meses que chegaram a São Paulo na esperança de dias melhores, mas não conseguiram pagar aluguel e passaram a viver na barraca. "Agora estamos nesta situação", disse.

Ao contar da vida, Ana Paula e a mãe ficam com olhos cheios de lágrimas. "Já tivemos casa, carro, loja, salão de cabeleireiro. Eu vivia aquela festa ali e hoje me vejo aqui", afirmou.

Fazendo mestrado em sociologia na capital paulista, João Alfredo Xavier, 25, aproveitou o feriado para curtir o Carnaval do Baixo Augusta com amigos no Anhangabaú. Questionado sobre a miséria do entorno, explicou que a desigualdade é a primeira coisa que chama a sua atenção na cidade.

"Sou de Bicas, uma cidade pequena de Minas Gerais, e essa é uma situação bem chocante. Tem pobreza por lá, mas aqui está na sua cara. Na minha cidade não tem morador de rua", disse.

O professor Ricardo Almeida, 40, também afirmou que o poder público não dá a atenção necessária à população em situação de rua. "Falta um olhar para essas pessoas que necessitam."

Sobre a presença das barracas na região central, o professor afirmou que é um direito, diante das dificuldades. "As ocupações são diferentes. A gente ocupa para se divertir e eles, por necessidade."

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