Missão da Nasa realiza com sucesso manobra de sobrevoo lunar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cápsula Orion funcionou como o esperado e a Artemis 1 realizou nesta segunda-feira (21) seu sobrevoo lunar conforme os planos da Nasa. É a primeira das quatro grandes manobras propulsadas das quais a missão depende para sua conclusão bem-sucedida, com uma amerissagem no Pacífico no próximo dia 11.

A espaçonave perdeu o contato com a Terra por volta das 9h30 (de Brasília), conforme transitava pelo lado oculto da Lua. Foi lá, em meio ao blecaute de rádio, às 9h44, que o propulsor principal do módulo de serviço se acendeu por dois minutos e meio, consumindo cerca de 20% do combustível disponível, para acelerar a espaçonave em cerca de 930 km/h.

O sinal da espaçonave foi recuperado às 9h59, quando a Orion transmitiu belas imagens do "pálido ponto azul" –uma visão da Terra praticamente toda iluminada, vista das imediações lunares. Em entrevista coletiva realizada no começo da noite, a agência espacial apresentou os resultados da avaliação de desempenho do foguete SLS, que iniciou a missão na última quarta (16). Todos os sistemas atingiram ou superaram sua meta de desempenho.

O mesmo vale para a cápsula Orion, em voo desde então. Apesar de alguns sinais curiosos vindo do sistema de rastreamento estelar (usado para controlar a orientação da nave) e do sistema de energia, nada até o momento desperta preocupações.

Por agora, a Artemis 1 está se afastando da Lua, depois de ter passado a 129,6 km da superfície. Na sexta-feira (25), virá a segunda grande manobra: outro disparo do motor principal colocará a espaçonave numa órbita retrógrada distante lunar. Em resumo, a Orion estará voando no sentido horário, a uma altitude de cerca de 64 mil km.

O plano é deixá-la naquela órbita por cerca de uma semana. No dia 28, ela vai se tornar a nave destinada a transportar humanos a ter viajado mais longe da Terra. A Nasa estima em cerca de 429 mil km. A recordista anterior foi a Apollo 13, que atingiu distância de 401 mil km, em 1970.

As missões Apollo tinham um perfil diferente, com uma inserção da cápsula a uma órbita lunar baixa, de cerca de 100 km de altitude. Por isso não voaram tão longe quanto agora voará a Orion da missão Artemis 1. Isso se dá basicamente por limitações do equipamento: o módulo de serviço da nova cápsula tem menos poder de propulsão que seu correspondente da década de 1960.

Desenvolvido pela ESA (Agência Espacial Europeia), o módulo de serviço da Orion é baseado no equivalente construído pelos europeus para seu veículo de carga automatizado, o ATV, que serviu ao programa da Estação Espacial Internacional. Graças ao perfil de missão com órbita mais alta, ele permite ida e volta da Lua mesmo levando em conta que o módulo de comando da Orion é maior e mais pesado que seu equivalente da Apollo.

Para futuros pousos na superfície, o módulo de alunissagem terá de compensar as limitações de propulsão da Orion. Mas será algo facilmente superado pelo veículo Starship, desenvolvido pela empresa SpaceX para a Nasa para realizar os primeiros pousos tripulados, nas missões Artemis 3 (2025) e 4 (2027). Esse cronograma, vale dizer, é ambicioso; é bem provável que vejamos atrasos.

Neste voo inaugural de teste, a Artemis 1 trafega sem tripulação. A bordo, apenas um manequim de corpo inteiro, equipado com sensores de radiação que serão analisados após o retorno à Terra, além de dois que representam só os torsos, com materiais que simulam a reação de tecidos humanos ao ambiente espacial. Esse material só será analisado após o retorno da cápsula. O que significa que é preciso realizar a amerissagem com sucesso em dezembro.

Será outro recorde: nunca uma espaçonave destinada ao transporte de humanos fez uma reentrada tão rápida na atmosfera terrestre, com velocidade superior a 40 mil km/h. Caso a missão termine com o retorno seguro da cápsula, o caminho estará livre para uma missão tripulada.

Por ora marcada para 2024, a Artemis 2 deverá levar quatro astronautas até as imediações da Lua, num perfil de missão similar (mas um pouco mais simples) do que o realizado pela tripulação da Apollo 8, em 1968. Em vez de orbitarem a Lua, os tripulantes farão um voo em "oito", contornando o satélite natural e então voltando à Terra, no que será a primeira viagem de seres humanos para o espaço profundo desde a Apollo 17, em 1972.