Stephen Hawking, autor de muitas das descobertas da astrofísica moderna

Redação Central, 14 mar (EFE).- O físico teórico britânico Stephen William Hawking, que morreu nesta quarta-feira, aos 76 anos, em sua casa em Cambridge (Reino Unido), é autor de boa parte das descobertas da astrofísica moderna, como a nova teoria do espaço-tempo e a radiação dos buracos negros.

Nascido em uma família de intelectuais em Oxford, no Reino Unido, no dia 8 de janeiro de 1942, ele iniciou em 1959 seus estudos na Universidade de Oxford. Então obteve seu doutorado em Física Teórica e Cosmologia em Cambridge.

Em 1963, foi diagnosticado com um tipo de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva que com a passagem do tempo o impediu de se movimentar e falar, o levando a utilizar um sofisticado método eletrônico para poder se comunicar com as pessoas.

Depois de conseguir seu doutorado, se dedicou a pesquisa e ao ensino ensino na faculdade de Gonville e Caius.

Já em 1977, ingressou no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica de Cambridge, onde foi renomado professor de Física Gravitacional.

Três anos depois, chegou a titularidade da cátedra Lucasiana de Matemática Aplicada e Física Teórica, a mais importante de Cambridge, que foi ocupada por Isaac Newton em 1663.

Em 1985, Hawking contraiu uma grave pneumonia na Suíça e os médicos aconselharam a remover a máquina que o mantinha com vida. Transferido urgentemente ao Reino Unido, foi submetido a uma traqueostomia que lhe salvou a vida, mas o deixou sem voz.

Desde 2005, ele apenas se comunicava movendo um músculo sob seu olho com o qual acionava um sintetizador de voz.

Hawking trabalhou ao longo da sua vida para desvendar as leis que governam o universo e, junto com seu colega Roger Penrose, mostrou que a teoria da relatividade de Albert Einstein implica que o espaço e o tempo devem ter um princípio, que denominou "big bang", e um final dentro dos buracos negros.

Em meados da década de 1970, ele também descobriu que a combinação das leis da mecânica quântica e da relatividade geral até negavam que os buracos negros fossem completamente negros, pois emitiam uma radiação, conhecida desde então como "Radiação Hawking".

Considerado o herdeiro de Einstein, revolucionou a Física com as suas teorias do espaço-tempo, o big bang e a radiação dos buracos negros, que refletiu em seu livro "Uma Breve História do Tempo", publicada em 1988 e que se tornou em um grande sucesso mundial, com mais de 25 milhões de exemplares vendidos.

Além disso, também um divulgador científico conhecido pelas suas teorias sobre os buracos negros e a formação do universo. Entre 1993 e 1996, trabalhou na série de televisão da "BBC" "Into the Universe with Stephen Hawking", baseado em "Uma Breve História do Tempo".

Já em 2004, após reconsiderar sua própria teoria sobre os buracos negros, expôs uma nova, que questiona que os mesmos sejam uma espécie de poço sem fundo, como ele mesmo tinha mantido.

No ano seguinte, apresentou o trabalho "Uma Nova História do Tempo", que simplifica e atualiza a anterior, "Uma Breve História do Tempo".

Seus outros livros são: "A estrutura a grande escala do espaço-tempo" (1973), escrito junto com George Ellis; "Relatividade geral: Revisão no centenário de Einstein" (1979), com Werner Israel; "300 Anos de Gravidade" (1987), também com Israel; "Buracos negros e pequenos universos" (1993); "Guia do leitor para uma breve historia do tempo de Stephen Hawking" (1993), compilado por Gene Stone; "Questões quânticas e cosmológicas " (1995) e "A natureza do espaço e o tempo" (1996) - ambos com Roger Penrose -; e "O Universo numa Casca de Noz" (2000).

Apesar da doença, Hawking deu várias mostras de energia e vitalidade. Assim, por exemplo, convidado pela companhia americana Zero Gravity, no dia 26 de abril de 2007 realizou um voo para a estratosfera onde experimentou a falta de gravidade.

Em março de 2008, publicou "George e o Segredo do Universo", um livro dirigido para as crianças e escrito em colaboração com sua filha Lucy.

Esse mesmo ano, em setembro, a implementação do grande acelerador de partículas LHC, em Genebra, reabriu a polêmica entre Hawking e o também físico britânico Peter Higgs em torno do chamado Bóson de Higgs.

Hawking chegou a apostar US$ 100 que o experimento do LHC não serviria para encontrar tal partícula, aposta que perdeu quando, em 2012, o CERN confirmou a existência do bóson.

Stephen Hawking deixou no dia 1º de outubro de 2009, a titularidade da cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge e passou a ser diretor de pesquisa no centro educativo.

Em julho de 2015, apresentou na Royal Society, em Londres, um projeto de busca de vida extraterrestre financiada pelo multimilionário russo Yuri Milner.

Já no mês de abril do ano seguinte, Hawking mostrou seu apoio a um programa financiado por Milner para enviar uma nave a outro sistema solar, que inclui um novo modelo de sonda espacial e com o qual promete alcançar o sistema estelar mais próximo, Alfa Centauri.

Hawking afirmou que o futuro da humanidade depende disso, que não poderá sobreviver outros mil anos sem escapar "além do nosso frágil planeta".

Em novembro do mesmo ano, ele falou no Vaticano sobre a expansão do universo e disse que perguntar sobre o "que havia antes do Big Bang" não tem sentido, pois "é como se questionar que há mais ao sul depois do Polo Sul".

No dia 24 de março de 2017, um holograma com sua imagem deu uma palestra de uma hora no Hong Kong Science Park sobre suas experiências no campo da pesquisa.

Em outubro do ano passado, Hawking comemorou a primeira detecção de ondas de luz e gravitacional produzidas pela fusão de duas estrelas de nêutrons.

Stephen Hawking se casou em 1965 com Jane Wilde, com a qual teve três filhos: Robert, Timothy e Lucy. Em 1990, passou viver com sua enfermeira, Elaine Mason, com a qual se casou em 1995. Durante este segundo casamento houve acusações de violência doméstica contra ele, mas Hawking negou tudo.

Em 2013, estreou um documentário sobre sua vida dirigido por Stephen Finnigan, e em 2014, o longa-metragem, "A Teoria de Tudo", de James Marsh, baseado em um livro escrito pela sua primeira esposa. EFE