Festividade de 90 anos do Cristo Redentor é marcada por discursos de conciliação entre a Arquidiocese e o governo federal

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RIO — No evento oficial de celebração dos 90 anos do Cristo Redentor, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, afirmou estar em busca de uma solução, em conjunto com a Mitra, para a situação do Santuário do Cristo. Nos últimos meses, as duas partes travaram uma série de disputas pelo controle da área do Corcovado. Em setembro, o padre Omar, reitor do Cristo, chegou a ser barrado por fiscais da ICMBio enquanto chegava para um batizado no santuário.
Durante a Santa Missa, o Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta fez um chamado à vocação de "cordialidade" do Cristo e do povo carioca. Durante seu discurso, ele chegou a saudar o ministro Leite, como um interlocutor recente. Ao final da missa, as autoridades se manifestaram no púlpito:
—Venho aqui transmitir a mensagem do presidente da República, para trazer uma solução definitiva para a área do Santuário do Cristo. Com apoio da Mitra vamos achar essa solução — afirmou brevemente o ministro Joaquim Leite, que arrancou aplausos do público.

Na fala anterior, o prefeito Eduardo Paes já havia afirmado que sua gestão reconheceria a área do Santuário como de direito da Mitra, através dos próprios mecanismos da legislação federal.
— O Cristo é uma bússola para a cidade. Como disse o Dom Orani, reprenta cordialidade do povo. Tem um simbolismo muito forte não só para o Rio como para o Brasil — disse o prefeito, que não falou com a imprensa, ao final do evento.

Já o governador Cláudio Castro afirmou que a celebração dos 90 anos vem em um momento de "esperança" do estado.
— Cristo representa a fé e a resiliência que precisamos ter nesse momento de retomada e, se Deus quiser, de fim de Pandemia. É um momento de esperança, reconstrução e de uma nova vida
A fala do ministro Joaquim Leite se insere no contexto recente, de rusgas, entre o Ministério do Meio Ambiente, mais especificamente o ICMBio e a Arquidiocese do Rio. As duas partes travam uma disputa pelo aumento do controle sobre o Cristo. Enquanto o ICMBIO é responsável pela Floresta da Tijuca, Paineiras e acessos ao corcovado, a Igreja cuida do Santuário e do monumento propriamente.
No final do ano passado, o Ministério do Meio Ambiente pediu a desocupação das antigas lojas do Cristo, para protesto dos lojistas, que alegam possuir acordos direto com a Arquidiocese, que defende ter a prerrogativa da ingerência sobre o assunto. Mas o governo federal realizou um chamamento público para seleção de novas operadoras das lojas, o que vem sendo questionado na justiça.
Outro capítulo do entrevero aconteceu em setembro, quando o Padre Omar, reitor do Cristo, foi barrado por fiscais do ICMBIO enquanto tentava acessar o santuário para a realização de uma missa. A Arquidiocese registrou boletim de ocorrência após o caso


Evento transferido para a Catedral
Transferida por causa da chuva, a missa de celebração aos 90 anos do Cristo saiu do alto do Corcovado e foi realizada na Catedral Metropolitana. Para Padre Omar e Dom Orani, o novo palco teve a vantagem de se colocar a festa mais próxima ao povo.
O primeiro ato foi o lançamento da Medalha Comemorativa dos 90 Anos do Cristo Redentor e do Bloco Postal Especial em Homenagem ao Monumento do Cristo Redentor. O conjunto de selos postais é composto por quatro obras originais do artista brasileiro Oskar Metsavaht.

Em seguida, iniciou se a Santa Missa, celebrada pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Numa analogia entre a nebulosidade por vezes encontrada no Cristo e os períodos turbulentos no Rio e no país devido à Pandemia da Covid-19, Dom Orani afirmou que o momento é de um olhar de esperança e otimismo, em função da campanha de imunização.
— Nós cariocas aprendemos a olhar para o Redentor muitas vezes coberto de nuvens, mas sabemos que a imagem está ali. Ainda estamos num momentode pandemia, mas com olhar de otimismo por causa da imunização. Assim, as nuvens tenebrosas do ano passado vão diminuindo.
O Arcebispo da cidade também destacou a vocação da cidade como acolhedora, em referência aos braços abertos do Cristo, num atributo que deve ajudar o país a enfrentar o momento de "polarização, rancor e ódio".
— A cidade tem o símbolo do Brasil, e isso nos traz muita responsabilidade em suscitar o que os braços abertos significam, uma cidade acolhedora e a cordialidade de seu povo. Nessa celebração de 90 anos, iremos nos comprometer a ajudar o Brasil, para que cada vez se acolha mais e construa mais pontes. Os braços abertos falam além de toda religião, ideologia, nacionalidade e línguas — discursou Dom Orani, que chegou a saudar o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante sua fala. — Queremos dar nossa contribuição para construirmos um país, estado e município mais justos.
Ao final da missa, Dom Orani liderou uma pequena procissão até o palco montado nos fundos da Catedral, onde houve cerimônia com bolo de 90 anos e apresentações ao vivo. No entorno, estandes organizados pelo Sesc e instituições de caridade atendiam a população, especialmente aqueles em situação de rua.
— Esse é o Cristo solidário e de missão social que queremos celebrar. Que desce o morro do Corcovado para fazer o bem — afirmou Padre Omar.



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