Pneumonia misteriosa causa segunda morte na China

Por Sébastien RICCI, Ludovic EHRET
Homem deixa o Centro Médico de Wuhan, em 12 de janeiro

A misteriosa pneumonia que apareceu na China causa crescente preocupação: uma segunda pessoa morreu, dezenas de pacientes continuam infectados e a Tailândia anunciou um segundo caso nesta sexta-feira (17).

Um chinês de 69 anos morreu na quarta-feira em Wuhan (centro), uma cidade de 11 milhões de pessoas, onde todos os casos chineses foram identificados desde o mês passado, informou a Comissão Municipal de Higiene e Saúde.

As autoridades de saúde locais tentaram tranquilizar a opinião pública esta semana: segundo elas, "o risco de transmissão do vírus entre humanos, se não foi excluído, é considerado baixo".

A epidemia alimenta o medo do ressurgimento do vírus altamente contagioso SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que matou cerca de 650 pessoas na China continental e em Hong Kong em 2002-2003.

Um chinês de 61 anos já havia morrido na semana passada.

De acordo com o último balanço, pelo menos 41 pacientes foram identificados em Wuhan. Destes, 12 já receberam alta, e cinco ainda estão em estado grave.

A investigação das autoridades chinesas constatou que vários pacientes trabalhavam em um mercado da cidade especializado no atacado de frutos do mar e peixes.

- "Sem pânico" -

O município tomou várias medidas, ordenando, em particular, o fechamento do mercado em questão, onde foram realizadas operações de desinfecção e análises.

A cepa é um novo tipo de coronavírus, uma família com um grande número de vírus. Eles podem causar doenças leves nos seres humanos (como um resfriado), mas também outras mais graves, como a SRAS.

As autoridades chinesas descartaram, no entanto, o ressurgimento deste último vírus.

Segundo a Comissão de Saúde de Wuhan, a maioria dos pacientes é do sexo masculino e com idade mais avançada.

A segunda pessoa falecida adoeceu em 31 de dezembro. Ela viu sua saúde piorar cinco dias depois.

Outros casos desta misteriosa pneumonia foram detectados no exterior: dois na Tailândia, e um, no Japão.

As autoridades desses dois países alegam que os pacientes foram a Wuhan antes de sua hospitalização.

O ministério da Saúde da Tailândia informou o segundo caso nesta sexta-feira. Trata-se de uma viajante chinesa de 74 anos hospitalizada após chegar em 13 de janeiro no aeroporto de Bangcoc.

"As pessoas não devem entrar em pânico, pois não há disseminação da doença na Tailândia", disseram as autoridades sanitárias do país.

- Ano Novo Lunar -

Outra paciente chinesa, cuja febre suspeita foi detectada em 8 de janeiro quando chegou a Bangcoc, está se recuperando em um hospital da cidade.

A Tailândia intensificou os controles em seus aeroportos à medida que as festividades do Ano Novo Lunar (25 de janeiro) se aproximam. Este é um período sensível, que suscita preocupações sobre a possível propagação do vírus.

Nesta ocasião, centenas de milhões de chineses tomam ônibus, trens e aviões para passar o feriado com a família. Muitos também saem de férias no Sudeste Asiático.

A China não anunciou restrições de viagem no país. Já as autoridades de Hong Kong (sul) reforçaram suas medidas de detecção nas fronteiras do território autônomo, em particular com detectores de temperatura corporal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na quinta-feira que "ainda há muito a descobrir sobre o novo coronavírus".

"Não sabemos o suficiente para tirar conclusões definitivas sobre seu modo de transmissão", ressaltou.