Mobilidade não poluente em risco por falta de eletricidade?

Não há postos de carregamento eletétrico suficientes, a rede é instável e os preço da eletricade estão a subir. Assim, poderá ser arriscado ter 2035 como data para parar de fabricar veículos a combustão novos na União Europeia (UE).

Os fabricantes estão a trabalhar em veículos elétricos com autonomias de mais de 600 quilómetros, mas será que os consumidores vão manter o atual nível de mobilidade?

"Os veículos não serão o maior problema. A tecnologia existe, os veículos podem ser construídos. Os problemas existem noutros aspetos desta transformação", disse Sigrid De Vries, diretora-geral da Associação Europeia de Construtores de Automóveis, em Bruxelas, em declarações à euronews.

"Os problema são os pontos de carregamento, o acesso às matérias-primas, garantir a mobilidade a preços acessíveis para as pequenas empresa e os cidadãos, enquanto se faz esta transformação e também, a da passagem a energias mais renováveis", acrescentou.

Neste momento, metade dos postos de carregamento elétrico da UE encontram-se em apenas dois Estados-membros: Alemanha e Países Baixos. Portugal é o 4º país do blolco com mais postos, excedendo os cinco mil, dos quais quase mil são rápidos ou ultra-rápidos.

O risco é que os consumidores hesitem em comprar um carro elétrico enquanto estiverem inseguros sobre a liberdade de movimento por falta destes postos.

Rede elétrica necessita de forte investimento

Quanto ao desafio de ter uma rede elétrica confiável, tal exigirá aumentar a produção energética em biliões de kilowatts/hora.

As fontes renováveis ganham terreno, mas é o petróleo, o gás e o nuclear que permitem alimentar a maior parte da rede eletrica na UE. A rapidez nessa transição ditará também a mudança na frota automóvel.

"Precisamos de aumentar a produção de eletricidade, mas existem planos nesse sentido. Precisamos de expandir a produção de energia com origem em fontes renovaveis. Na Alemanha, planeámos aumentar a quota de energia renovável na produção de eletricidade para 80% até 2030. Isso inclui as necessidade de energia para todos os carros eléctricos e, também, para o aquecimento". afirmou Michael Bloss, eurodeputados alemão dos verdes, à euronews.

Quanto à capacidade e segurança da rede de energia elétrica, serão necessários grandes investimentos para modernizar as infra-estruturas existentes. A Comissão Europeia estima que esse esforço custará mais de 500 mil milhões de euros, até 2035.

Na atual crise energética, muito ligada à inavsão russa da ucrânia (e que criou tambem uma crise inflacionista) cumprir este desígnio, em pouco mais de uma década, poderá ser um desejo demasiado otimista.