Moda masculina e Alta-costura voltam às passarelas de Paris

Por Caroline TAIX
Modelos desfilam criações de Giorgio Armani, em 24 de junho de 2014, em Milão

Logo depois de Londres e Milão, os desfiles de moda masculina começam nesta quarta-feira em Paris, precedendo a Alta-costura feminina, especialidade francesa que faz o mundo inteiro sonhar e na qual se destacam vários estilistas latino-americanos, como o brasileiro Gustavo Lins.

Mesmo parecendo mais clássica e até menos empolgante que sua homóloga feminina, a moda masculina evolui muito, multiplicando suas propostas.

"É cada vez mais criativa e gera cada vez maior interesse", diz Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa de costura.

O terno clássico é reinterpretado nas mais variadas formas, da versão com bermudas até o estilo militar. O 'streetwear' transformou o universo masculino.

O que vão propor os estilistas para a primavera e o próximo verão? A resposta chega em centenas de desfiles organizados em vários bairros da capital francesa, de quarta-feira a domingo, além de apresentações em showrooms.

Para aqueles que não receberam os tão cobiçados convites, algumas marcas retransmitem seus desfiles ao vivo online, como por exemplo Hermès, em 28 de junho às 15:00h (horário de Brasília).

Nessa temporada surgem novos nomes: o russo Gosha Rubchinskiy, o coletivo de criadores franceses Etudes Studio e a marca Andrea Crews. A luxuosa maison espanhola Loewe, que gera muito expectativa com seu novo estilista J.W Anderson, fará também um desfile.

A maison John Galliano estará ausente nesse ano, mas os responsáveis pela marca, que já não tem mais relação com o estilista John Galliano, afirmam que ela volta na próxima temporada.

Os desfiles masculinos terminam no próximo domingo com a passarela de Saint Laurent. E pela primeira vez o mundo da moda terá um descanso de alguns dias em vez de continuar de imediato com os desfiles de Alta-Costura, como sempre é feito..

Presença da América Latina

De 6 a 10 de julho, junto às famosas maisons Chanel, Schiaparelli, Dior e outras, aparecem três novas marcas: as francesas Fred Sathal e Stéphanie Coudert e a marca francoturca Dice Kayek.

De apelo exclusivamente francês, a Alta-costura é feita de vestidos costurados sob medida em ateliês com trabalho manual. Bordados, plissados, plumas: cada um exibe sua arte.

Entre os estilistas de Alta-Costura se destacam nesse ano vários da América Latina, que mostrarão suas criações em desfiles ou apresentações fora da programação oficial, incluindo o brasileiro Gustavo Lins, o mexicano Antonio Ortega e o venezuelano Oscar Carvallo.

Os vestidos demandam dezenas, as vezes centenas de horas de trabalho, e são vendidos por milhares de euros. "Alguns consideram que é indecente. Mas sustenta tanta gente! Cria muitos empregos", disse em entrevista à AFP Julien Fournié, estilista francês que fundou sua própria maison em 2009.

Fournié vende entre 25 e 30 vestidos por ano para clientes de lugares como Arábia Saudita e Cingapura. São garotas de apenas 18 anos, mulheres de 30 anos e também mais velhas. Buscam "algo exclusivo, somente para elas", explica o estilista de 39 anos.

Nesse universo luxuoso, há marcas que têm dificuldade para sobreviver. Após seis anos de trabalho, a empresa de Fournié apenas "começou a funcionar". "Não ganhamos milhões, mas alcançamos o equilíbrio", diz.

Em meio aos desfiles, o mundo da moda volta seu olhar para os tribunais, pelo processo iniciado pela Balenciada contra seu ex-estilista estrela, o francês Nicolas Ghesquière, que trabalha hoje para Louis Vuitton e é acusado de denegrir denigrar a marca fundada pelo lendário estilista basco Cristóbal Balenciaga.