Moda no carnaval, marquinha de biquíni de famosas como Rafa Kalimann, Pocah e MC Rebecca vai ser exportada para os EUA; entenda

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Érika Bronze tem 40 anos, 3 filhos crescidos e duas casas compradas com o suor de seu trabalho e o de muitas mulheres que se espremem em sua laje para conseguir um lugar sob o sol escaldante de Realengo, no subúrbio do Rio. Depois de uma hora de frente e uma hora de costas, a combinação de tempo, temperatura e acelerador de melanina imprime em seus corpos a marquinha de biquíni da Anitta, carro-chefe da "personal bronzer", como ela se define. Ma também pode ser a tirinha lateral que aparece em Rafa Kalimann, Pocah, MC Rebecca, Yasmin Brunet, Preta Gil...

Às vésperas deste carnaval, ela atendeu de 30 a 40 mulheres por dia, muito mais que o dobro que bronzeia na baixa temporada, ainda mais com a pandemia da Covid no meio do caminho. O modelo mais pedido do momento é mais alto, quase chegando na cintura.

— Menina, parece que elas todas guardaram dinheiro para esta semana — brinca Érika, dona de uma oratória invejável, uma espécie de coach de bronzeamento e de autoestima e empoderamento feminino.

Talvez isso tenha impulsionado outra vertente de sua carreira, além dos produtos estéticos que já lançou, todos, ela afirma, desnvolvidos com a ajuda de dermatologistas e legalizados pela Anvisa. Boa parte deles, na lista estão incluídos autobronzeadores, hidratantes e afins, é vendida já em drogarias, o que dá muito orgulho a Érika.

No segundo semestre, ela parte para os Estados Unidos, onde vai fazer uma "turnê". Turnê é palestra, seminário, workshop, uma mistura disso tudo. Ela fala sobre técnica (ela desenvolveu os produtos e o modelo do biquíni feito com fita isolante), história de superação, já que começou a trabalhar aos 13 anos ("Quem acreditaria em um, uma mulher que vendia o bronze perfeito?"), aceitação do próprio corpo ("Se a mulher tem um excesso de gostosura aqui ou ali, se tem uma barriguinha sensual, eu aconselho o modelo de biquíni ideal. Faço um paisagismo corporal").

O primeiro lugar em que vai deixar sua marquinha é o estado de Massachusetts, que ela mesma embola a pronúncia e ri disso:

— Tem uma comunidade brasileira grande lá. E as americanas também querem. Eu faço a cor praiana carioca. Não fica igual ao laranja do Trump, não!

Érika é bem-humorada. Adora explicar cada detalhe de seu trabalho e das famosas que estão em seu currículo. "Rafa Kalimann é muito generosa", "Pocah convidou ela para sair no bloco". Anitta para ela é especial. Foi com o clipe de "Vai, malandra", gravado numa laje, com direito a marquinha em curso, que a personal bronzer passou a viver a fama na pele. Teve foto sua em exposição no MAR, inspirou personagem de filme (a personagem de Roberta Rodrigues na comédia “L.O.C.A. – Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor” flerta com sua história)...

— Quando a Anitta usa um biquíni meu, esgota em meia hora no site — diz ela.

Biquíni também está na lista de produtos desenvolvidos por Érika. A partir do molde feito com fita isolante, que garante a marquinha de sol simetricamente perfeita, ela criou um modelo em lycra, com laterais fininhas e chatas, o que impede que fiquem saindo do lugar.

Muita coisa mudou desde que a laje de Érika passou a ser disputada desde 6h30, quando ela bota as cadeiras e espreguiçadeiras para fora. Ela trabalha até 11h, para e volta depois das 14h, horários mais seguros para exposição ao sol. Para começar o trabalho, ela usa protetor fator 30 em cada cliente. Somente depois dele, aplica o seu acelerador de bronze.

O próximo passo é o biquíni de fita isolante. A mulher escolhe o modelo, sob orientação de Érika. As fitas já ficam previamente cortadas, num trabalho milimetricamente artesanal feito pela própria família. Esqueça aquela fita isolante preta ou prata. As de agora são coloridas e têm até estampa. A duração do bronzeamento na laje varia de acordo com o resultado esperado e a cor da pele. De meia a hora de cada lado, em média. Cada sessão custa em torno de R$ 70, mas há pacotes.

Durante o procedimento, é servido o "suco do bronze" (beterraba com cenoura). A música, funk é campeão, está sempre tocando:

— Parece sempre que é uma festa.

Além do bronzeamento de raiz, Érika faz o artificial, com spray aplicado por um compressor daqueles usados para pintar carro. Esse é o preferido das famosas, que pagam pelo serviço em domicílio. No delivery, a personal bronzer leva todo o equipamento e cobra R$ 150. A gorjeta fica a critério do freguês:

— A Rafa Kalimann é muito generosa — confessa ela.

Em casa, o processo é bem mais rápido.

— Em meia hora a pessoa já fica com bronze de Região dos Lagos.

Para não machucar, Érika usa um absorvente íntimo sob calcinha que ela monta com fita isolante. Nos seios, lança mão de discos de algodão normalmente destinados à retirada de maquiagem.

— Tem que proteger bem o a cliente ganha uma depilação de brinde — brinca.

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