Moda sem gênero: por que veremos cada vez mais homens de saia e mulheres de terno

Adeptos da moda sem gênero clicados este mês, em Paris (Foto: Getty Images)
Adeptos da moda sem gênero clicados este mês, em Paris (Foto: Getty Images)

Enquanto os conservadores ainda discutem se meninos podem usar rosa e meninas podem usar azul, a moda sem gênero ganha cada vez mais espaço nas passarelas, em desfiles de grifes renomadas, e nas redes sociais, devido ao surgimento de diversas marcas nativas digitais.

Desfile da coleção Outono/Inverno 2022-2023 da Dolce & Gabbana em Milão (Foto: Getty Images)
Desfile da coleção Outono/Inverno 2022-2023 da Dolce & Gabbana em Milão (Foto: Getty Images)

Famosos com grande influência sobre os millennials e os genZ reforçam esse movimento e frequentemente desafiam o conceito de masculinidade e feminilidade — não que David Bowie e Madonna, por exemplo, não tenham feito isso há décadas. Mas hoje, com Harry Styles e Billie Eilish em alta, a estética genderless nunca esteve tão próxima de nós, os "anônimos".

Billie Eilish (Foto: Getty Images)
Billie Eilish (Foto: Getty Images)

Nas ruas, nos festivais e no Instagram, esse movimento fica evidente em conjuntos (estampados ou não) e peças oversized, como o que é sucesso na Approve e na Baw Clothing — essa vendida no ano passado para uma subsidiária Grupo Arezzo por R$ 105 milhões —, mas também em croppeds, saias e outros itens da Another Place (que acaba de lançar uma coleção com o cantor Jão), da eXXeXX, de Victor Belchior, de João Pimenta, entre outras etiquetas nacionais e internacionais.

"É algo que ganhou força com as discussões sobre gênero na internet e justamente por isso só tende a crescer, pelo menos pelos próximos dez anos", avalia Robert Lucian, designer e produtor de moda que, em 2016, criou a própria marca motivado pela dificuldade de encontrar roupas que lhe servissem e tivessem a ver com o que ele gosta e acredita.

"Sempre fui muito magro e adoro shapes e estampas que, até então, raramente eram direcionados para homens. Assim, de uma maneira muito natural, o público começou a associar o que eu faço a essa estética", relembra. "Parto do principio de que roupa é roupa e somos livres para usarmos o que quisermos", completa.

Lucian, que no prêt-à-porter (pronto para vestir) trabalha com os tamanhos PP, P, M, G, GG e XGG, destaca ainda o desafio de atender a todos nesse modelo, mesmo com uma tabela de medidas mais ampla — daí a necessidade de oferecer serviços de ajustes e confecção sob medida aos clientes. "Há vários tipos de corpo e gosto. Usando tecidos sem muita elasticidade e cortes não tão retos na alfaiataria, por exemplo, é praticamente impossível encontrar uma modelagem universal", justifica.