Modelo que matou adolescente foi 'rude' e 'agressivo' com funcionários de hospital

Bruno Krupp (Foto: Reprodução/Instagram)
Bruno Krupp (Foto: Reprodução/Instagram)

O modelo Bruno Krupp, que atropelou e matou o adolescente João Gabriel Cardim Guimarães, de 16 anos, era rude, grosseiro e agressivo com os profissionais de saúde que o atendiam.

O portal g1 teve acesso ao inquérito que embasou o indiciamento do médico Bruno Nogueira Teixeira por fraude processual ao atender o modelo no Hospital Marcos Moraes. O documento traz trechos peculiares sobre a passagem do influenciador na unidade de saúde.

Profissionais do hospital foram ouvidos para apurar o real estado de saúde do modelo e se ele precisava de cuidados de uma UTI, como solicitou o médico Bruno Nogueira Teixeira.

Enfermeiro que atendeu Krupp

“…Que Bruno Krupp, em todo momento, se mostrou rude e arrogante, dando ordens para os profissionais e exigindo exclusividade no tratamento. Que em todo momento Bruno foi atendido por dois profissionais, que se auxiliavam e se resguardavam, caso Bruno fizesse algum tipo de reclamação, visto que o comportamento do paciente era de muita agressividade."

‘Balançar’

"Que no dia 04/08/2022, por volta de 9h, o paciente apresentava bom estado geral e permanecia na enfermaria do hospital, sendo administrado remédios para dor, curativos e soro, quando em determinado momento a técnica foi até o posto de enfermagem e comunicou que, ao orientar o paciente que o mesmo deveria anotar sua diurese, recebeu a seguinte resposta " que somente conseguia urinar, balançando.

...Que o paciente estava urinando em "patinho" (instrumento para acamados urinarem) todos os outros dias, mas no dia em referência, disse que não conseguia, pois estava de mãos atadas. Que o paciente já veio transferido com as mãos enfaixadas, logo não ocorreu fato novo que justificasse a necessidade de "balanço". Que no dia 04/08/2022 o declarante estava de plantão e registrou diurese de 800 ml em 12 hs, o que é parâmetro normal, sem indicação de complicação."

Parecia bem para médica

"Que a declarante foi chamada para avaliar Bruno Krupp, que ainda estava internado na enfermaria. Que recebeu uma ligação em seguida, dizendo que o paciente teria sido transferido para o CTI e que a declarante deveria avaliá-lo na unidade intensiva. Que no início da tarde a declarante foi até o leito e se apresentou conversando com o paciente que se encontrava acompanhado de dois policiais. Que o paciente estava acordado, lúcido, cooperativo, respirando em ar ambiente, pressão arterial estável, sem uso de aminas.

Que o paciente não apresentava sinais de desidratação, com diurese espontânea, sem cateter vesical de demora, estável hemodinamicamente, sem sinais de congestão pulmonar, somente apresentando escoriações e edemas associados ao trauma. Que o paciente não apresentava sinais de retenção urinária (sem bexigoma). Que a declarante ao analisar o débito urinário das últimas 24 hs e do dia 05/08/2022, até o momento que estava no hospital, o paciente apresentava débito urinário satisfatório.

A análise dos exames laboratoriais demonstrava as escorias introgenadas estáveis desde a admissão no hospital ( creatinina 0,9 e uréia 16) CPK em queda progressiva ( o valor mais alto apresentado pelo paciente foi em torno de 2250 e no dia da avaliação estava em 1460), sem acidose metabólica, nem distúrbios eletrolíticos. Que a declarante concluiu se tratar de um caso de rabdomiólise leve com baixa probabilidade de evolução para insuficiência renal aguda, sem indicação de hemodiálise. Que a declarante foi apresentada para o médico assistente (Bruno Teixeira) e relatou o caso para o mesmo e deu sua avaliação, sugerindo a suspensão de hidratação venosa, furosemida e bicarbonato, medicação prescrita pelo médico assistente. Que o médico Bruno não questionou o parecer da declarante. Que ao final do parecer a declarante optou pela alta pela nefrologia, sem necessidade de acompanhamento nefrológico, por se tratar de paciente jovem, sem comorbidades maiores, com rabdomiólise leve com boa evolução clínica e laboratorial. Que no momento do exame feito pela declarante o paciente NÃO APRESENTAVA INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA, mesmo internado na UTI. Que a função renal do paciente era normal, tendo o paciente recebido alta do CTI no dia 06/08/2022, segundo relatos."

Indiciamento

Ainda segundo informações do portal g1, o médico Bruno Nogueira Teixeira foi indicado na quarta-feira (17) por fraude processual no episódio em que ele transferiu o modelo para uma UTI.

No dia 9 de agosto, o médico negou qualquer fraude.