‘Molécula do prazer’ é responsável pela gravidade da dependência de drogas, diz estudo

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) descobriram "de forma inédita" uma associação entre alterações do nível de dopamina (a "molécula do prazer") no metabolismo e a gravidade da dependência de drogas em homens que cumpriam pena de prisão por crimes violentos. O estudo foi publicado na revista científica BMC Psychiatry em junho deste ano.

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Novas perspectivas para a intervenção farmacológica em pessoas com dependência de drogas são abertas com os resultados do estudo.

O método da pesquisa

A amostra da pesquisa foi um grupo de 46 homens que cumpriam pena de prisão em Portugal pela prática de crimes violentos como homicídio, tentativa de homicídio ou agressões físicas. O estudo integra um projeto mais amplo que visa identificar fatores prenunciadores de agressividade em presos.

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Mais de metade dos participantes (59%), cuja média de idade ronda os 36 anos, apresentava uso abusivo de drogas. No processo da pesquisa, eles realizaram uma série de testes psicológicos e análises sanguíneas.

As pesquisadoras Margarida Figueiredo Braga e Maria Augusta Vieira-Coelho esclareceram que o estudo demonstrou "pela primeira vez, que a atividade da enzima responsável pelos níveis de dopamina está relacionada com a gravidade da dependência de substâncias, bem como com a falta de autocontrole".

"Nos indivíduos com problemas de abuso de substâncias químicas, a atividade da enzima está relacionada com essa capacidade de autocontrole", acrescentam.

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Os resultados demonstrados no estudo reforçam outros já pré-existentes que correlacionam os níveis da enzima responsável pela dopamina com os níveis de impulsividade e que associam o uso de inibidores da enzima à redução de comportamentos aditivos e impulsivos.

O diferencial deste estudo português vem "reforçar o conhecimento sobre o papel das vias da dopamina nesta doença que é a dependência de drogas", destaca a FMUP.