Candidata de oposição lidera 1º turno da eleição presidencial na Moldávia

Mihaela RODINA
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Propaganda eleitoral domina a paisagem em Chisinau, capital da Moldávia, em 29 de outubro de 2020
Propaganda eleitoral domina a paisagem em Chisinau, capital da Moldávia, em 29 de outubro de 2020

A candidata pró-europeia Maia Sandu surpreendeu e foi a mais votada no primeiro turno da eleição presidencial da Moldávia, com vantagem sobre o atual presidente, o pró-russo Igor Dodon.

O segundo turno será disputado em 15 de novembro.

Sandu, uma economista de 48 anos que trabalhou no Banco Mundial, obteve 36,26% dos votos no primeiro turno, contra 32,6% de Dodon, de 45 anos, do Partido Socialista (PSRM), segundo a Comissão Eleitoral Central (CEC).

A candidata de centro-direita, que defende a integração da ex-república soviética à União Europeia, afirmou que "os eleitores mostraram no domingo que o bem pode vencer". 

E afirmou que no segundo turno de 15 de novembro os eleitores terão a oportunidade de "colocar a Moldávia no caminho correto e de construir um Estado funcional, que trabalhe para os cidadãos". 

Sem mencionar a vantagem obtida pela rival, Dodon se mostrou "convencido" da repetição do cenário de 2016, quando venceu Sandu no segundo turno das eleições. 

"Não podemos permitir a instabilidade do país e que aqueles que estão à frente do Estado sejam marionetes do exterior", afirmou, em referência a Sandu.

Dodon criticou ainda os moldávios da diáspora que votaram em sua adversária porque, segundo ele, "seu ponto de vista não concorda com o da maioria das pessoas que trabalham na Moldávia". 

A ex-república soviética de 3,5 milhões de habitantes, situada entre a Romênia e a Ucrânia, sofreu várias crises políticas nos últimos anos.

As forças favoráveis a uma aproximação da Rússia e os partidários de uma integração à União Europeia (UE) têm se alternado no poder, sem chegar a ter uma clara maioria.

O presidente Dodon promete "continuar com a cooperação benéfica com a Rússia, principal parceira estratégica da Moldávia", e o ensino obrigatório do russo nas escolas.

Seu colega russo, Vladimir Putin, o apoiou abertamente e saudou os "esforços realizados" por Dodon para construir relações com Moscou.

Sandu, que foi primeira-ministra entre junho e novembro de 2019, aposta em uma aproximação da Moldávia com a UE e na criação de empregos para conter o êxodo maciço da população ao exterior.

"Estas eleições têm um valor de referendo sobre o mandato de Dodon", diz Valeriu Pacha, do grupo de estudos WatchDog Moldavia. 

Segundo ele, os moldávios poderão escolher entre a via da "integração europeia mais intensa - um campo em que a Moldávia registra muitos atrasos" - ou a continuação do regime atual, "totalmente subordinado ao Kremlin".

Considerado um dos países mais pobres da Europa, a Moldávia é conhecida por sua indústria vinícola e por um conflito com separatistas pró-russos na Transnístria, que se separou e 1992 após um rápido conflito. Moscou tem tropas na região desde então.

Em 2014, a Moldávia assinou um acordo de associação com a UE, provocando a ira da Rússia. Em resposta, o Kremlin impôs um embargo às exportações de produtos agrícolas moldavos, um duro golpe para a economia local.

Seis anos depois, apesar de as sanções terem sido suspensas, a UE desbancou a Rússia como o principal parceiro comercial da Moldávia.

Nos últimos anos, importantes escândalos de corrupção entre as elites moldávias puseram em risco a vital ajuda financeira do Ocidente.

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