Molon resiste a abrir mão da candidatura ao Senado no Rio e abre guerra interna no PSB

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Sob bombardeiro das principais lideranças do PSB e do PT para que retire a sua candidatura ao Senado, Alessandro Molon ganhou o apoio do presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, para seguir na disputa, compondo, com André Ceciliano (PT), duas postulações ao Senado na chapa de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio. A briga expôs a divisão no partido.

O próprio Freixo é um dos que lideram a pressão sobre Molon, em nome de um acordo que dá ao PT a vaga ao Senado. O ex-presidente Lula passou a se envolver diretamente na questão, procurando aliados no partido para trabalhar contra Molon. Em Pernambuco, estado-chave para o PSB e onde o apoio do PT e de Lula é crucial, o pré-candidato ao governo, Danilo Cabral, se juntou ao coro. Ele teme que uma insatisfação do PT com Molon ameace o apoio petista ao PSB em outros locais.

O candidato do PSB ao Senado em São Paulo, Márcio França chegou a defender, na convenção nacional do partido, na semana passada, que, se Molon não retirar seu nome, o partido asfixie financeiramente sua campanha.

A voz mais influente da sigla, porém, discorda. Ao GLOBO, o presidente do PSB rebateu a hipótese levantada por França:

— Não trato ninguém com chantagem. Neste partido, as questões são resolvidas com diálogo e internamente. Não há possibilidade de eu fazer coro a este discurso (de asfixia financeira da candidatura) — afirmou.

Em entrevista à CNN Brasil, Siqueira descartou uma intervenção do comando nacional no diretório do Rio de Janeiro, que, sob comando de Molon, formalizou sua candidatura há duas semanas. O presidente pessebista afirma não ter um pacto “incondicional” com os petistas:

— O PSB não aceitou entrar na federação com PT, PCdoB e PV por não aceitarmos abrir mão da sua autonomia, da possibilidade de escolhermos os nossos próprios candidatos. Nossas decisões são descentralizadas, cabem aos diretórios regionais. Apoiamos o PT em sete estados, enquanto eles nos apoiam em quatro — afirmou Siqueira.

Sobre o caso do Rio especificamente, ele fez elogios a Molon e sugeriu que o PT parasse de pressionar contra a candidautra.

— No Rio, o problema é similar ao que existia em Minas (onde o PT já apoiava um candidato a governador do PSD, e concordou em retirar seu nome ao Senado para apoiar um nome também do PSD). Reivindicamos a mesma solução no Rio. Nossa convenção está feita, Molon está escolhido para o Senado. Se ele quiser, pode retirar a candidatura, mas não tenho o que fazer — disse ele, que enalteceu o Molon “como o melhor deputado do país”.

Pelo estatuto do partido, a Executiva nacional não poderia intervir na decisão referendada pela convenção estadual. O texto prevê à direção nacional as decisões sobre repasses de verbas para candidaturas.

Em 2018, porém, o comando nacional forçou o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda a retirar sua candidatura ao governo mineiro para apoiar Fernando Pimentel, do PT. A exigência fazia parte do acordo que selou o apoio petista à candidatura de Paulo Câmara (PSB) ao governo de Pernambuco. Na ocasião, o PT obrigou Marília Arraes a sair da disputa.

Procurado para comentar os posicionamentos dos correligionários que defendem sua desistência, Molon respondeu por nota, rebatendo a proposta de França:

“França é um quadro muito importante do partido, a quem respeito, mas não procede a informação de que, se tivéssemos candidatura a governador, não poderíamos ter a senador. Isso nunca foi combinado com ninguém. Mas já é superado: a convenção do PSB/RJ aprovou por unanimidade a nossa pré-candidatura”

Já Marcelo Freixo (PSB) não quis comentar a insistência do correligionário. No mês passado, ele elevou o tom e também reivindicou o “cumprimento do acordo”.

— O PT é o maior partido e reivindica a indicação do nome ao Senado. Essa composição é decisiva, não é uma composição que nos leva a debater nomes, mas o cumprimento de acordo. Entro no debate de um acordo político. Minha expectativa é que ele seja cumprido.

As falas de Danilo Cabral contra Molon também não aconteceram por acaso: Lula costurou durante a sua passagem por Pernambuco, no mês passado, o apoio de lideranças do PSB local à retirada. O diretório pernambucano é o mais influente no comando nacional do partido e esse apoio é considerado fundamental, capaz de sacramentar a saída do parlamentar da disputa .

De acordo com uma liderança do PSB, chamou a atenção o fato de Lula ter procurado diretamente nomes como o governador Paulo Câmara e o prefeito de Recife, João Campos, para tratar do tema. Até então, as demandas do ex-presidente nas negociações com o partido aliado vinham por meio de interlocutores.

Em mais um capítulo da disputa, Molon publicou um vídeo, no último sábado, onde recebe o apoio de Guilherme Boulos, principal liderança do PSOL, e afirma a disposição em manter a sua candidatura ao Senado. Na legenda, ele fez questão de se colocar como o único candidato do campo da esquerda na disputa e reiterar que será candidato.

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