Momentos memoráveis do rock disponíveis no YouTube

Carlos Marcos, do El País
Oasis no Knebworth Park: quando os irmãos Gallagher ainda sorriam um para o outro

Cream é considerada a primeira superbanda de rock. Três caras com uma carreira já relevante que se uniram em um projeto fadado ao fracasso. Não como uma entidade artística, mas como um ecossistema de convivência precária. Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker. Clapton chegou a definir o ambiente assim: “Era uma situação de confronto 24 horas por dia”. Bruce e Baker não se suportavam. Criativamente, eles foram um turbilhão. Passaram dois anos juntos e deixaram performances memoráveis. É um dos momentos que reunimos nesta lista por shows ao vivo que deixaram sua marca.

Berry e Richards

Um dos registros mais divertidos e tensos de rock. O professor, Chuck Berry, e um de seus melhores alunos, Keith Richards, ensaiam uma música desde o início, “Carol”. Faz parte do filme “Chuck Berry — Hail! Hail! Rock and roll” (1987) que homenageava um dos criadores do rock ainda vivo. O grande momento. Na terceira tentativa, Chuck Berry cutuca Richards: “Você quer acertar?”. Mais cedo, quando Berry mostrava a Keith como era seu solo na guitarra (“eu o inventei”), Richards lançou um olhar para o pianista Johnny Johnson,companheiro de Chuck, como quem diz: “Seu chefe está na minha cola”. O sangue não chegou ao rio, mas foi por pouco. Veja aqui

Joni Mitchell

Uma das grandes vozes do rock, Joni Mitchell, que apareceu no final dos anos 60 e, num ambiente dominado por homens, fez todos se curvarem diante dela: Bob Dylan, The Byrds, Eagles...O grande momento. Mitchell lançou “Blue”, em 1971, uma das coleções mais honestas de músicas sobre conflitos em relacionamentos amorosos. “A case of you” é uma das mais brilhantes. O vídeo é de uma performance de 1974. Quando ela começa a cantar, o mundo para. Veja aqui

Led Zeppelin

Led Zeppelin em um de seus melhores momentos. Esta gravação faz parte do filme e do álbum “The song remains the same”, com shows gravados em julho de 1973, no Madison Square Garden, em Nova York. O grande momento. Impossível uma iconografia do rock maior que essa. Jimmy Page e Robert Plant, ambos sem camisa, o violão duplo, o sex appeal do vocalista... e a música. Essa é uma das melhores performances ao vivo de “Stairway to heaven”, canção que ainda soa tão impressionante como há 50 anos”. Veja aqui

Oasis

Estamos em 1996, quando o planeta inteiro estava ouvindo “britpop”. Até os irmãos Gallagher trocaram sorrisos naquele momento. O grande momento. Esta apresentação em Knebworth, na Inglaterra, foi um das mais concorridas da história. Foram 250 mil fãs frenéticos em cada um dos dois dias. “Slide away” não está entre os três maiores sucessos do grupo, mas merecia. O melhor do Oasis é que nunca uma banda tão estática no palco produziu tanta energia rock. Veja aqui

Rage Against The Machine

Todo mundo que era jovem no início dos anos 1990 provavelmente foi seduzido pelo poder deste quarteto californiano. Sua fórmula era tão brutal que incendiava de cara. O grande momento. Gravado do palco, é um reflexo fiel da energia avassaladora do grupo, agressivo e mal-humorado. As filmagens são de 1993, logo após o lançamento do primeiro e melhor álbum da banda. Veja aqui

Carole King

Estamos falando da grande Carole King. E aos pés dela, com um violão, rendeu-se ao seu talento ninguém menos que James Taylor. O grande momento. King se apresenta em um vestido rosa, com sapatos brancos e um sorriso sapeca. Logo canta como os anjos “So far away”, daquela obra-prima que é o álbum “Tapestry”. Essa música era a favorita de Amy Winehouse e foi ouvida em seu funeral. Veja aqui

Cream

Quando a banda foi formada, seus membros já estavam cientes de que não duraria muito. Eric Clapton na guitarra, Jack Bruce no baixo e Ginger Baker na bateria. Estiveram juntos por dois anos (tiveram um retorno relâmpago no início deste século) e deixaram um legado que é a base de muitos estilos que vieram depois, como hard rock ou grunge. O grande momento. “Sunshine of your love”, de 1967, foi a música mais vendida do grupo. Eles até começam mais ou menos ordenados, mas, no meio da música, cada um segue seu próprio caminho improvisando, como em uma competição. Essa era a grandeza do grupo. A coisa mais próxima que o rock teve dos espíritos livres do jazz. Veja aqui

Rolling Stones

Stones de 1971, na fase Mick Taylor, a melhor para muitos fãs, quando foram criadas obras máximas como “Sticky fingers” ou “Exile on Main St.”. O grande momento. Quando perguntam a Keith Richards qual é a canção mais importante dos Stones, ele responde: “Midnight rambler’. Representa tudo o que esse grupo é”. Aqui eles tocam no Marquee Club, em Londres. A banda já era grande em 1971, mas eles queriam voltar à essência de quando começaram, dez anos antes. Vemos o grupo tocando junto, num pequeno palco, com Richards passando pela sua fase mais delicada em meio ao vício em heroína. A música soa poderosa e sensual, com um excelente trabalho desse talento que foi o guitarrista Mick Taylor, na época com 22 anos. Veja aqui

Blondie

Depois de um começo punk, a banda demonstrou sua versatilidade com “Heart of glass”, hino das pistas de dança nos anos da discoteca. Estamos em 1979. O grande momento. Debbie Harry é um dos grandes ícones do rock por performances como essa, no programa “The Midnight Special”. Seu estilo na maneira de se vestir (aquele short de seda azul), a interpretação vibrante, seu carisma no palco (você não precisa se mexer muito para ser uma deusa da dança) e seu engajamento. Veja aqui

Santana

Estamos falando de Santana, que, na época, no final dos anos 1960, não era Carlos Santana, mas sim uma banda onde cada músico contava, um liquidificador de funk latino. O grande momento. Festival de Woodstock. Santana se apresentou 16 de agosto de 1969. Quase meio milhão de pessoas estavam lá. É possível ver o público, extasiado, balançando seus corpos. Seis minutos de funk alucinante com “Soul sacrifice”. Veja aqui

Radiohead

Certamente, a última grande banda de rock. O Radiohead já é um grupo clássico. O grande momento. As presenças dos ingleses no festival de Glastonbury foram momentos de auge em suas carreiras. Os fãs ainda discutem se o desempenho de 1997 foi mais transcendental do que o de 2003. Ou vice-versa. Esta performace de “No surprises” é de 2003. Estavam em ótima forma. É possível notar isso nesta interpretação delicada e intensa. Veja aqui

Talking Heads

A banda mais legal que Nova York nos deu nos anos 1970, em uma apresentação de início de carreira, depois de lançar um primeiro álbum. O grande momento. No programa “The Old Gray Whistle Test”, do canal inglês BBC, o grupo toca seu primeiro hit, “Psycho killer”. A imagem do líder, David Byrne, com sua camisa pólo amarela estreita, calça branca, o violão quase no peito. Grupos da Movida (Rádio Futura, Carlos Berlanga...) nasceram quando viram e ouviram esse Byrne. Veja aqui

Tina Turner e Cher

Dois furacões que iniciaram suas carreiras com seus parceiros (Ike Turner e Sonny Bono), se livraram deles e construíram carreiras estratosféricas. O grande momento. É gravação de um programa de TV conduzido por Cher na década de 1970, onde ela convidava outros artistas para duetos. As duas fizeram juntas o sucesso “Shame Shame Shame”. A apresentação não poderia ser mais divertida e contagiante. Veja aqui

Nirvana

Nirvana em outubro de 1991, um mês depois de lançar “Nevermind”, um hit. O grande momento. Kurt Cobain se cansou da fama e do que a ocasionou, a música “Smells like teen spirit”. Mas esta gravação é um pouco mais recente, quando o músico que se tornaria deprimido era ainda um jovem entusiasmado . O fenômeno do Nirvana estava começando a tomar forma, mas ainda distante das proporções descomunais em que se transformaria em pouco tempo. Aqui o trio soa fresco, visceral e sincero. Veja aqui

Bob Dylan

Aqui, vemos um Bob Dylan com 27 anos, transformando a história do rock, rompendo com tudo e criando a versão mais punk de “Like a Rolling Stone”. O grande momento. Dylan, messias do folk, decidiu que era rock and roll. Ligou para seus colegas da The Band e trocou o violão acústico pelos decibéis. Este foi o show onde tudo aconteceu, em 1966, em Manchester. A troca de comentários no início da gravação ilustra a tensão que se respirava, uma vez que os puristas do folk não queriam ver seu ídolo cercado por instrumentos elétricos. “Judas”, alguém da plateia o chama. O músico se vira para a banda e diz: “Toquem muito alto”. E é isso o que eles fazem. Veja aqui