Monica Xexéo é exonerada da direção do Museu Nacional de Belas Artes após 15 anos no cargo

Nelson Gobbi
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RIO — Há 15 anos na direção do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) do Rio, Monica Xexéo foi exonerada da função nesta quinta-feira. A troca no comando da instituição foi publicada nesta quinta no Diário Oficial da União, em portaria com data de 3 de fevereiro, assinada pelo ministro do Turismo, Gilson Machado. Mônica não quis comentar a sua saída da direção do MNBA.

Como destacou a coluna de Ancelmo Gois, a museóloga é funcionária de carreira e iniciou sua trajetória no museu nos anos1980. Durante o período que foi diretora, a instituição passou por mudanças e reformas, como a iniciada em 2014, com o aporte de R$ 20 milhões proveniente do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas.

Em março do ano passado, o MNBA iniciou mais uma reforma, para restauros no prédio histórico e modernização dos sistemas antipânico e de detecção e combate a incêndios. À época, o orçamento divulgado para as obras era de R$ 14,8 milhões, liberados pelo Governo Federal, com previsão de conclusão em 2022.

Um dos nomes cogitados para substituir a museóloga foi o de Aldo Mussi, recentemente exonerado da presidência da Fundação Theatro Municipal (onde foi substituído por Clara Paulino, ex-presidente do Museu da Imagem e do Som). Procurado pela reportagem, Mussi negou que tenha, até o momento, sido convidado pela Secretaria Especial da Cultura para assumir o cargo.

Em nota enviada aos servidores, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) agradece "toda a dedicação e o trabalho da senhora Monica Xexéo frente ao MNBA e esclarece que dará início, prontamente, ao chamamento público para o preenchimento do cargo". No mesmo texto, o Instituto informa que a direção do MNBA será conduzida interinamente por Vera Mangas, dirigente da Representação Regional do Ibram-RJ, até que a seleção pública para o cargo seja concluída.

Inaugurado em 1937 na sede da antiga Escola Nacional de Belas Artes, construída durante a reforma Pereira Passos, o museu possui a maior coleção de arte brasileira do século XIX. No acervo de 70 mil itens, incluindo 18 mil obras de arte, estão trabalhos-chave da iconografia nacional, como "A primeira missa no Brasil" (1861), de Victor Meirelles; "A batalha do Avaí " (1872-77), de Pedro Américo; e "O derrubador brasileiro" (1875), de Almeida Júnior. É justamente a riqueza e a importância histórica do acervo que preocupa a comunidade artística, apreensiva com o futuro da instituição.

— O MNBA detém um acervo precioso e insubstituível. Diante de tudo o que tem ocorrido nos últimos tempos, é preocupante que o museu corra o risco de ser dirigido por alguém que não tenha competência e conhecimento na área — alerta Evandro Salles, ex-diretor do Museu de Arte do Rio (MAR).