Monique Alfradique reflete sobre dilemas femininos e conta que congelou óvulos para focar no trabalho: 'Sou workaholic'

O que é ser normal? No dicionário, o adjetivo significa comum, que não foge aos padrões ou à norma. Justamente para questionar a suposta necessidade de se encaixar nesse padrão, Monique Alfradique sobe ao palco com “Quase normal”, peça em cartaz nos fins de semana deste mês no Teatro dos Quatro, na Gávea, Zona Sul do Rio. Aos 36 anos, a atriz conta que as suas experiências pautaram os temas que ela apresenta no monólogo, o primeiro de sua carreira. Além de atuar, ela assina o texto junto com Rafael Primot, que também é diretor

— Ser normal é se encaixar nos padrões que crescemos ouvindo? Para mim, é você ser feliz consigo mesmo, com suas escolhas. Independentemente de ser casada ou não, de ter filhos ou não. Mas isso é um processo. A gente não vive isso de uma hora para outra. É um caminho que a mulher vai construindo e ela precisa se desconstruir para poder se aceitar e viver plenamente — analisa a atriz.

Por ter percorrido esse caminho, Monique diz se sentir preparada agora para falar sobre temas muitas vezes delicados para inúmeras mulheres. A montagem aborda a autoestima feminina e as pressões que muitas sofrem para ser mãe, ter um casamento perfeito e, ao mesmo tempo, serem bem-sucedidas profissionalmente.

— O espetáculo está a minha cara! A maturidade foi chegando e entendi o meu lugar no mundo. O mundo é que não está acompanhando esse processo da mulher contemporâna. Precisamos poder decidir o que quisermos. Não o que a sociedade, a família ou os amigos querem. Essa pressão é oculta, mas nem tanto. Vivo isso no dia a dia.

Ela destaca que, antes de mergulhar no texto, conversou com outras mulheres da sua idade, e elas também tinham os mesmos questionamentos:

— Sou workaholic e amo o que eu faço. Abdico de várias coisas para realizar meus sonhos. Minha vida pessoal vai acompanhando esse movimento — resume ela, que no momento se diz “apaixonada, mas sem querer rotular’’: — Congelei meus óvulos, posso ser mãe daqui a pouco. Tenho vontade, mas não nesse momento, não agora. Uso a medicina a meu favor nesse sentido. Mas até nisso a mulher tem que entender se é o seu desejo ou se é uma pressão da sociedade, que espera que todas formem uma família perfeita.

No palco, a personagem de Monique vive situações hilárias, que ilustram esses dilemas femininos. Com humor, ela vai gerando identificação com o público. Os momentos das risadas, no entanto, foram pensados para não serem ofensivos.

— Faço todas essas reflexões através do riso. O humor tem essa coisa mágica. Mas é importante a reflexão. Na peça, dou risada de mim mesma. Não vamos ridicularizar ou tentar diminuir alguém, seja pela questão estética ou qualquer outra.

A vontade de encarar um monólogo era antigo, mas Monique esperava a hora certa para isso.

— Sempre intercalei meus trabalhos na TV com o teatro. Fernanda Torres e Cristiane Torloni, com seus monólogos, me inspiraram a subir ao palco sozinha. Tinha esse desejo, mas, ao mesmo tempo, queria ter algo pra falar. Não queria que fosse qualquer texto. Esse veio no momento certo pra mim — diz ela, adiantando planos futuros: — Já estou desenvolvendo com Rafael uma série inspirada no monólogo.

Além da primeira vez sozinha no palco, a atriz estreou, no fim de outubro, como protagonista no longa “Bem-vinda a Quixeramobim”. No filme, também uma comédia, Monique interpreta Aimée, uma digital influencer milionária que tem todos os bens da família bloqueados após um caso de corrupção, exceto uma fazenda no interior do Ceará, que herdou de sua mãe.

— Aimeé vai abrindo o olhar, valorizando suas raízes. O filme fala sobre essa transformação da personagem, que se humaniza. O retorno está sendo fantástico. Por enquanto, já foi assistido por mais de 60 mi pessoas lá no Ceará e em Pernambuco. Queremos trazer para o Sudeste.

Com a chegada do fim de ano, um outro compromisso ganha espaço na agenda de Monique: o desfile na Marquês de Sapucaí. A atriz é musa da Grande Rio, atual campeã do Grupo Especial, que trará um enredo sobre Zeca Pagodinho em 2023.

— A Sapucaí já faz parte da minha história. O samba está lindo e queremos ganhar mais um prêmio! — torce a atriz, acrescentando que a preparação para atravessar a Passarela do Samba já vai começar: — Vou retomar as aulas de samba logo. Eu gosto de criar uma coreografia bem livre, simples. Meus professores me colocam para sambar com pesos no pés. É bem difícil, mas depois tudo muda!