Monja Coen: como fazer da quarentena por causa do coronavírus um estímulo à evolução pessoal

Maria Fortuna

Há mais de 30 anos, Monja Coen se dedica aos mistérios da existência e tem intimidade de sobra com a experiência do isolamento em mosteiros e retiros. Pode falar com propriedade, portanto, sobre como a reclusão pode ser utilizada para o bem das pessoas.

Um pouco dessa sabedoria, Monja compartilha no programa “Caminho zen”, dirigido por Alberto Renault (às quartas, 23h, no GNT, e disponível no Now). Ao lado de Fernanda Lima, ela faz uma “viagem interior” pelo Japão, onde conversam sobre temas contemporâneos como nossa relação com o tempo, desapegos e afetos. O programa foi gravado, é bom lembrar. Ela já está em casa, em São Paulo. Aos 72 anos, Cláudia Dias Batista de Souza, como foi batizada, conta que, antes de ser monja, era jornalista e andava de moto. O interesse pela meditação veio na época em que Beatles e Pink Floyd falavam do assunto, quando ela escreveu uma reportagem sobre sociedades alternativas.

— Meditei e pensei: “Isso faz sentido na minha vida”. Eu não era muito controlada... Brigava, batia o pé, ficava mal-humorada. Era o lugar onde me curava da raiva, do julgamento — lembra ela, que se casou aos 14 anos, teve uma filha aos 17, quando o marido foi embora.

Em entrevista feita na distância segura do WhatsApp, ela sugere aproveitarmos o recolhimento para repensar nossa consciência coletiva e ressignificar o que importa.

— É hora de arrumar a casa e a nossa mente, reorganizar a vida. Reaprender a respirar. Tantas coisas passamos apressados porque temos compromissos e trabalho. É preciso ter cuidado para não ficar perdido nas redes sociais e deixar de apreciar momentos de silêncio, introspecção.

A líder espiritual lembra que somos um só corpo.

— Não importa se seus olhos são redondos ou puxados, se a cor da sua pele é clara ou escura, onde você nasceu, que língua fala. O que o coronavírus veio mostrar que somos todos seres humanos.

Para ela, falta consciência a religiosos que andaram se negando a cancelar seus cultos.

— Tem gente achando que é brincadeira ou excesso. Não precisamos tocar no outro ou respirar o ar da mesma sala, mas permanecer unidos pelo propósito comum: o bem de todos. Vamos perder dinheiro? Sim. As pessoas não irão aos templos, não farão doações, mas é por um período. Lamento por aqueles que não perceberam isso.

Leia a entrevista completa aqui.