Montadoras deixaram de produzir mais de 100 mil veículos no país este ano por falta de semicondutores

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SÃO PAULO — A falta de semicondutores fez a indústria automotiva brasileira deixar de produzir entre 100 mil e 120 mil veículos no primeiro semestre deste ano. A estimativa é de Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, associação que representa as montadoras, com base em um estudo da consultoria Boston Consulting Group (BCG). Segundo o estudo, na América do Sul, deixaram de ser produzidos 162 mil veículos de janeiro a junho deste ano. Para este ano, a Anfavea reduziu as projeções de vendas e de produção.

— Como o Brasil representa cerca de 80% dessa produção, o país deixou de produzir entre 100 mil e 120 mil unidades no primeiro semestre — afirmou.

A BCG estima que em 2021, entre cinco milhões e sete milhões de veículos deixarão de ser produzidos no mundo pela falta de semicondutores. Quando a indústria automotiva parou, no ano passado, por causa da pandemia, os semicondutores foram direcionados a outros setores que ganharam força com a mudanças de hábitos trazidas pela Covid-19, como o de computação, eletreletrônicos, por exemplo, produtos que foram mais demandados com o isolamento social e trabalho remoto. Quando as fábricas de automóveis voltaram a funcionar, enfrentaram a falta destas peças.

O problema, segundo a BCG, só deve ser reduzido em 2022. Apenas no primeiro semestre deste ano, a consultoria estima que 3,6 milhões de veículos deixaram de ser produzidos no mundo. No Brasil, a Anfavea divulgou que a produção de veículos em junho foi de 166,9 mil unidades, uma queda de 13,4% em relação a maio, quando 192,8 mil unidades foram produzidas.

— A produção de veículos perdeu o ritmo em junho devido à paralisação de diversas unidades. Vinha se mantendo na casa de 190 mil unidades por mês — disse Moraes.

Na segunda-feira passada, a Hyundai Motor Brasil anunciou que vai paralisar totalmente sua produção na fábrica de Piracicaba, em São Paulo, devido à falta de semicondutores. Na semana passada, a empresa informou que estenderia a paralisação do segundo e terceiro turnos, mas que manteria um turno funcionando. A previsão é que a linha de montagem que produz a família HB20 e o Creta ficará parada até o retorno das atividades no dia 12 de julho, quando voltam a funcionar o segundo e o terceiro turnos. O primeiro retornará no dia 15 de julho.

A Anfavea reviu para baixo suas projeções de vendas e produção para este ano. Os emplacamentos previstos para este ano, segundo a entidade, devem chegar a 2,320 milhões frente aos 2,367 previstos no início do ano. Já a produção deve ficar em 2,459 unidades frente às 2,520 milhões previstas anteriormente. Segundo Moraes, as estimativas foram refeitas considerando a falta de semicondutores.

— Mesmo que o problema da falta de semicondutores fosse solucionado este ano, não teríamos um crescimento substancialmente mais alto da produção e das vendas — afirmou.

Para o presidente da Anfavea, o governo vai na direção certa com suas propostas de reforma tributária, mas precisa ampliá-las. No imposto sobre o consumo, por exemplo, que prevê a união do PIS e do Cofins, criando um tributo sobre valor agregado, com o nome de Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), Moraes avalia que de alguma forma o ICMS, imposto estadual, deveria ser incluído já que é um dos principais do setor, levando ao pagamento de uma carga tributária mais alta que outros setores da economia.

— Entendo a dificuldade de se fazer essa reforma, mas ela precisa ser mais ampla, embora não possa gerar aumento de carga tributária, que já é alta para no setor — diz Moraes.

Já em relação à redução de IR para pessoa jurídica, Moraes avalia que é positivo fazer a conpensação com a tributação de dividendos. Segundo ele, isso acontece em boa parte dos países, embora seja nececessário calibrar as alíquotas para não haver aumento de carga.

Mas ele observa, por exemplo, que a tributação sobre importações e exportações entre empresas do mesmo grupo não foi tratada pelo governo. Também não foi tratada a compensação de prejuízos.

— Se temos prejuízos num ano e lucro em outro, só se pode fazer uma compensação de até 30% das perdas. Para pagar o imposto não tem limite, mas para compensar o prejuízo o limite é de 30% - disse.

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