Morador da Tijuca é o fundador do Bloco Exagerado, que homenageia Cazuza

Regiane Jesus
Fundador do Bloco Exagerado, que homenageia Cazuza, mora na Tijuca

Seus destinos não foram traçados na maternidade. Pode-se dizer até que esse amor foi inventado. Ha 35 anos, quando Cazuza compôs, em parceria com Ezequiel Neves e Leoni, a música “Exagerado”, Rafael Braga, fundador do bloco carnavalesco homônimo, nem era nascido. Um mero detalhe para quem, aos 34, tem a certeza de que o poeta está vivo através da sua obra. Morar na Tijuca, sem ter como hábito vagar na lua deserta das pedras do Arpoador, não o distancia do ídolo que era a cara da Zona Sul carioca. No apartamento da Rua Barão de Itapagipe, o produtor cultural transformou sua paixão pelo letrista morto em 1990 em folia. Seja em ritmo de samba, frevo ou funk, o rock com a inconfundível assinatura de Agenor de Miranda Araújo Neto faz parte do show do Bloco Exagerado e vai ser veneno antimonotonia para o público que marcar presença no dia 23, domingo de carnaval, ao meio-dia, na Praça Tiradentes.

— Na adolescência, eu conheci a poesia de Cazuza ouvindo o disco que Cássia Eller fez em homenagem a ele. A partir daí, me apaixonei completamente e fui comprando todos os CDs dele. Como Cazuza, sou um exagerado. Se não fosse exagerado, não faria o bloco. Não tinha dinheiro para colocar nosso primeiro carnaval na rua, em 2016, mas dei um jeito, corri atrás e as coisas aconteceram — recorda Braga.

Se quem tem um sonho não dança, o produtor cultural jamais duvidou que receberia até as bênçãos da mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, para seguir com o projeto de levar a poesia do ídolo para a folia. Estava certo.

— Lucinha aprovou o bloco, foi a um ensaio nosso, na rua, em janeiro de 2016, curtiu à beça e falou que adorou tudo. Desde então, tenho contato com ela, que participa aprovando as nossas ideias — conta o também administrador de empresas que toca tamborim no bloco.

O sucesso do Exagerado, que reuniu 30 mil pessoas no carnaval passado, é facilmente explicado por Braga:

— As letras de Cazuza seguem atuais. Sinto que tanto quem viu um show dele quanto quem, como eu, não teve essa oportunidade, transfere a vontade de estar próximo ao poeta para o bloco. As pessoas se emocionam em pleno carnaval quando o Helton Alves (vocalista), canta, por exemplo, “O tempo não para”. O Guto Goffi (baterista do Barão Vermelho), que é o nosso padrinho, conta que Cazuza dizia que todo rock daria uma boa batucada no carnaval. Se ele achava isso, estamos no caminho certo.

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