'Tinha família e foi muito amado', diz mãe de morador de rua que teve morte ignorada em padaria no RJ

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Foto: Blog Joaquim Ferreira dos Santos / O GLOBO
Foto: Blog Joaquim Ferreira dos Santos / O GLOBO

Carlos Eduardo Pires de Magalhães, morador de rua que morreu na última sexta-feira (27) em uma padaria de Ipanema (RJ) após ter seus apelos por socorro ignorados, foi enterrado nesta quarta-feira (02).

À pedido da mãe, Marlene Alves Flauzino, os cabelos de Carlos foram cortados e sua barba foi feita pra o velório. A mãe desabafou sobre a morte trágica do filho, que foi coberto por um pedaço de plástico preto, enquanto o estabelecimento seguiu funcionando normalmente.

"O que fizeram com o meu filho foi desumano. Não entendo como as pessoas podem agir assim, com tanta falta de amor ao próximo", afirmou a mãe ao UOL.

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Carlos Eduardo morreu de complicações de uma tuberculose avançada. Cerca de dez familiares se reuniram para sua despedida.

Leo Motta, ativista social que integrou um protesto na padaria em que Carlos morreu, colocou flores no local onde o morador de rua costumava dormir, próximo ao estabelecimento, também no bairro de Ipanema.

"Eu também fui morador de rua. Isso poderia ter acontecido comigo. Mesmo sem endereço, a gente tem direito de ser respeitado", reivindicou o ativista.

“Para mostrar que ele tinha família"

De acordo com o relatado pela mãe ao UOL, Carlos tinha problemas com drogas e por isso voltava constantemente a morar nas ruas.

Marlene conta que havia visto o filho pessoalmente há mais de um ano, quando ele passou alguns dias em sua casa. "Ele ficava com a cabeça deitada no meu colo, era muito carinhoso. Gostava de comer galinha com quiabo", contou emocionada. Ela garante que mesmo com Carlos em situação de rua, eles conseguiam manter contato constante por telefone.

"As pessoas precisam saber que ele tinha família e que foi muito amado. Mas ele escolheu essa vida [morar na rua] por causa dessa maldita droga", ressalta a mulher.

Segundo o UOL, irmãos de Carlos discutiram brevemente no velório sobre a presença da imprensa. A mãe intercedeu e disse que queria que a história de Carlos fosse registrada.

"Pode deixar gravar, pra mostrar que ele tem família. Tem que mostrar o que aconteceu pro mundo. Nós somos pobres, mas vivemos de cabeça erguida", afirmou Diego Alves Sampaio, 32, irmão de Carlos Eduardo.