Moradora de Todos os Santos transforma trabalho artístico feito em escolas públicas da Itália em espetáculo

Foi em Roma que a atriz, bailarina e escritora Dayze Nascimento transformou a sua ancestralidade africana e indígena em arte. Ao desembarcar na capital italiana, em 1990, a moradora de Todos os Santos levava na bagagem um mestrado em Artes Cênicas, pela Unirio, e o sonho de apresentar ao país europeu a sua brasilidade por meio de um projeto que unisse literatura, dramaturgia e dança. Conseguiu! Após se especializar em Teatro, Arte e Performance pela Universidade La Sapienza di Roma, idealizou o “Laboratório performativo de pedagogia teatral afro-brasileiro” e, na sequência, abriu as portas de escolas públicas locais para ensinar o que é que o Brasil tem tanto para alunos quanto para professores.

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De volta ao Rio, em 2008, engavetou textos cheios de histórias nacionais que contou na terra do Coliseu. A pandemia, no entanto, fez com ela mexesse neste baú. Entre os achados estava o livro “Brincando com o samba”, que propõe um passeio cheio de ritmo pela vizinhança do Morro do Salgueiro, na Tijuca, bairro onde viveu na infância e que foi tema de muitas narrativas que encantaram as crianças italianas.

Esta obra virou a sua fonte de inspiração para o espetáculo “Ritmar, musicar, vamos brincar?”, que tem três apresentações gratuitas agendadas para teatros do Sesc. Nesta sexta-feira (28), às 17h, a performer se apresentará na unidade Madureira. Dia 24 de novembro será a vez de Ramos, e em 1º de dezembro ela chega à Tijuca.

— Em Roma, quando eu entrava nas salas de aula, as crianças falavam que tinha chegado a professora que fazia todo mundo ficar alegre. Este projeto intercultural mostrou à garotada que não existe apenas a cultura europeia, que o Brasil, através do seu povo miscigenado, tem muitas riquezas. Tenho orgulho de ter contribuído para divulgar as nossas ancestralidades africanas e indígenas na Europa. O meu objetivo é adaptar este projeto, que teve uma trajetória bem-sucedida na Itália, para as nossas escolas. A ideia é contar, seja no palco ou em colégios, histórias genuinamente brasileiras para brasileiros — diz.

Voltar a viver na capital italiana está fora de cogitação para Dayse.

— Não quero mais morar em Roma, nem em nenhum outro lugar do mundo. A minha intenção é mostrar o Brasil para os brasileiros. O meu lugar é aqui, em Todos os Santos — diz.

O bairro, localizado entre o Méier e o Engenho de Dentro, tem um significado histórico especial para a artista.

— O escritor Lima Barreto (1881-1922), um dos primeiros intelectuais a combater o racismo, foi morador de Todos os Santos. Este bairro é ótimo porque me permite ir a pé para o Méier, onde há um comércio grande e o Imperator, que frequento bastante, e também por estar pertinho do Engenhão. Outro bairro próximo que amo é Madureira, endereço do samba carioca — observa.

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