Moradoras do Amapá relatam apagão: 'Falta de tudo, desde água potável a alimentos'

Louise Queiroga
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A falta de energia no Amapá, que atinge 89% da população desde a noite de terça-feira, gera preocupação entre moradores, que vêm ganhando apoio nas redes sociais por internautas anônimos e celebridades por meio da hashtag #SOSAmapa. O nome do estado é o assunto mais comentado no Twitter Brasil nesta sexta-feira.

Como muitas pessoas perderam o sinal de telefonia, uma usuária do Twitter escreveu nesta sexta no microblog que enfim conseguiu falar com sua irmã, que mora no Amapá e está grávida de oito meses. Na mesma postagem, divulgou uma foto da moça deitada num colchão colocado no meio da sala por ser quente demais à noite para ficar dentro do quarto, mais abafado.

"FALEM DO AMAPÁ, SÃO VIDAS E ELAS IMPORTAM TAMBÉM", completou.

Duas jovens que vivem na capital Macapá compartilharam com o EXTRA como têm sido passar dias sem luz e suas preocupações até o problema, causado por um incêndio numa subestação que atingiu transformadores na capital, ser completamente restabelecido. Quanto a isso, o Ministério de Minas e Energia apresentou um prazo de até 10 dias.

Na residência da pedagoga Juliane Cristine Araújo Mendonça, de 27 anos, moram sete pessoas, incluindo uma pessoa com deficiência mental. Sem trabalho em razão da pandemia da Covid-19, ela descreveu que a falta de energia é pior principalmente à noite para quem tem crianças em casa devido ao calor, acrescentando que tem um irmão de 12 anos.

— Para quem tinha alimentos congelados, perdeu tudo — disse. — No momento estou desempregada por conta da Covid-19, mas como estamos sem energia então muitos trabalhos foram suspensos. Porque além da falta de energia e água também estamos sem sinal nas operadoras de telefonia. Agora consegui um pouco de sinal e estou podendo usar, mas eu estava incomunicável desde terça-feira quando teve o apagão.

A situação também afetou a vida da adolescente Isabelle, de 13 anos, que mora com três familiares na capital, e contou que eles não conseguiram acesso nem a lanternas, pilhas e velas para se virarem nos últimos dias. Conforme ela disse, "falta de tudo" por lá.

— A situação ainda está bastante grave. Até onde se sabe, pouquíssimos locais da capital Macapá estão com energia. Os que tem condições, estão usando geradores para energia. Não se tem energia para conservar alimentos, nem se consegue obter gelo para isso. Falta de tudo, desde água potável para comprar a alimentos. E outros itens para usar na ausência de energia, como lanternas, pilhas, velas.

Isabelle mencionou ainda que na área onde mora também faltou água, o que apenas dificultou ainda mais a realizar tarefas simples do cotidiano.

— A água foi reestabelecida pela empresa principal. Mas é comum faltar em áreas da cidade. Outros pontos estão sem água desde a terça a noite, quando começou o problema — afirmou. — As telecomunicações ainda estão muito prejudicadas. Não funcionam o sinal e nem internet móvel da maioria das operadoras — disse, acrescentando ter perdido "total contato com toda a família".

Quanto à escola, Isabelle relatou que o novo coronavírus por si só já havia dificultado os estudos, pois assiste aulas online desde março, e a falta de energia complicou ainda mais.

— Sobre as aulas, é tão complicado que nos não temos nem notícia a respeito. As poucas informações que ouvimos estão sendo passadas na rádio CBN Amapá. Tanto estudo quanto trabalho estão prejudicados, uma vez que são pouquíssimas informações. Durante a pandemia a aula está sendo somente online, desde março.