Moradores acusam policial de matar jovem no Jacarezinho, no Rio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Moradores da comunidade do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, protestaram na noite desta segunda-feira (25) na avenida Dom Hélder Câmara após a morte de um jovem de 18 anos. Segundo relatos de testemunhas, Jhonatan Ribeiro de Almeida, pai de um bebê de quatro meses, foi atingido por disparo feito por um policial militar.

"Deram um tiro no Jhonatan na minha frente. O moleque não estava com nada. Eles deram o tiro e saíram correndo", afirmou o ativista Diego Aguiar, morador da comunidade, em publicação nas redes sociais.

Moradores atearam fogo em lixo e entulho durante o protesto Reprodução Imagem mostra avenida com lixo pegando fogo **** Em uma série de vídeos, também nas redes sociais, Aguiar aparece chorando e mostra o jovem sendo levado em uma moto por outros moradores em direção a uma unidade de saúde do bairro. "Mataram o moleque. Só querem nos matar. Não aguento mais", ele diz.

Na manifestação, um grupo colocou fogo em entulhos e impediu o trânsito na avenida. Bombeiros e policiais militares estiveram no local. O fotógrafo Bruno Itan, que documenta o cotidiano de favelas, registrou imagens do protesto. Moradores gritavam "assassinos" para policiais armados e encapuzados.

A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o caso, que também será acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.

"Mais um dos nossos é executado. Em que momento a favela vai ter a sua vida respeitada e integrada? Até agora só morte, descaso e marginalização", afirmou a vereadora Tainá de Paula (PT). "Mais um jovem, pai de um bebê de quatro meses, morador do Jacarezinho, morto pelas mãos do Estado. Nós não aguentamos mais tanta dor", disse o deputado federal David Miranda (PDT-RJ).

Há quase um ano, uma operação da Polícia Civil do Rio, no dia 6 de maio de 2021, deixou 28 mortos e foi considerada a mais letal da história. Foram mais de cinco horas de tiroteios intensos, que provocaram um cenário de terror. As mortes ocorreram em 13 locais diferentes da comunidade, como vielas e casas de moradores.

Um dos mortos foi o policial civil André Leonardo Frias, 48, baleado através de uma "seteira" (buraco) em um muro de concreto, segundo a corporação.

Os agentes disseram que revidaram disparos de traficantes e a Polícia Civil divulgou fichas criminais para justificar as mortes. Já os moradores relataram horas de terror, rastros de sangue e corpos espalhados nas vielas do bairro. Também disseram que parte dos disparos policiais foram feitos após as vítimas se renderem e que algumas delas não tinham envolvimento com crimes.

Dos 28 óbitos, dois viraram denúncias, 15 foram arquivados e 11 continuam em investigação.

O massacre do Jacarezinho, como o episódio ficou conhecido, foi lembrado pelo Instituto Marielle Franco nesta segunda, logo após a morte de Jhonatan. "Mais um jovem é morto no Jacarezinho pela polícia do Rio de Janeiro. Há 11 dias de completar um ano da chacina mais letal de 2021, mais uma família chora, mais uma mãe tem que enterrar seu filho", disse o instituto, em nota.

Oito meses após o massacre, o governador Cláudio Castro (PL) decidiu usar o Jacarezinho e a favela da Muzema, na zona oeste do Rio, como comunidades que fazem parte do projeto-piloto do programa Cidade Integrada, com a ocupação pela Polícia Militar e a promessa de serviços e obras.

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