Ocidente vive em outra realidade, diz Rússia após Johnson cancelar visita

Moscou, 8 abr (EFE).- O cancelamento da visita à Rússia do ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, mostra que o Ocidente vive "em sua própria realidade", declarou neste sábado a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.

"Temos a impressão de que nossos colegas ocidentais vivem em sua própria realidade, onde primeiro tentam construir, de forma unilateral, planos coletivos (para todo o mundo), e depois os cancelam, também de forma unilateral, com pretextos absurdos", apontou a diplomata russa em entrevista à agência "Interfax".

A Rússia "sempre defendeu a construção de relações estáveis sobre uma base sólida de direito internacional, mas, infelizmente, essa estabilidade há muito deixou de ser o cartão de visitas da política externa ocidental", acrescentou Zakharova.

Johnson anunciou neste sábado que cancelou sua viagem a Moscou, como estava previsto, por causa do ataque com armas químicas cometido na Síria, ao indicar que "deplora" a defesa que a Rússia faz do regime de Bashar al Assad.

Em comunicado divulgado hoje pelo Foreign Office, Johnson afirmou que "os eventos na Síria mudaram a situação de maneira fundamental".

"Deploramos a defesa contínua que a Rússia faz do regime de Assad, inclusive depois do ataque com armamento químico contra civis inocentes", afirmou o chefe da diplomacia britânica.

Johnson pediu que o Kremlin fizesse "o possível para obter um acordo político na Síria e trabalhasse com o resto da comunidade internacional com o objetivo de assegurar que os eventos impactantes da semana passada não voltem a se repetir".

Mais de 70 pessoas morreram na terça-feira na Síria após um bombardeio aéreo com armas químicas contra a cidade de Khan Sheikhoun, na província de Idlib, que é controlada pelas forças rebeldes.

Os Estados Unidos responderam ao ataque com o lançamento de 59 mísseis Tomahawk, sem consulta prévia à ONU, contra uma base aérea síria, o que abalou as relações com a Rússia. EFE