Moradores de condomínio em São Conrado denunciam invasões em terreno que teve deslizamento de terra em 2019

Gilberto Porcidonio
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RIO — Moradores da Ladeira das Yucas, em São Conrado, entraram com uma ação na Justiça para que se investigue uma área de 30 mil metros quadrados que foi invadida por construções irregulares dentro da área e proteção ambiental situada dentro do condomínio.

No local próximo do número 550 da na Av. Niemeyer, onde houve um deslizamento de terra após uma tempestade em abril de 2019, o que deveria estar ocorrendo é a revitalização da vegetação local com plantas nativas da Mata Atlântica desde que a terra cedeu. Porém, já se podem ver clareiras, caminhos e até escadas improvisadas na terra. Dentro do condomínio de luxo que tem 23 residências, também já se pode ver três caminhos cortados por dentro da mata e, na área em que houve a erosão há dois anos, também foi identificado o lançamento de esgoto a céu aberto.

Além do caminho, há também uma rampa asfaltada que foi feita atrás de um motel da área, e uma obra feita a 300 metros de onde já ocorreu um deslizamento de terra. Para isso, foi-se observado que pelo menos oito carros estão trabalhando para fazer o transporte clandestino até o local. Até uma van escolar estaria sendo usada para isso. Também há denúncias de que há pessoas fazendo a vigilância munidas de celular na porta da ocupação. Ao ser questionado por um morador, um homem chegou a afirmar que estava ali à serviço da prefeitura para trabalhar no reflorestamento da região.

— Aquela é uma área que já caiu inteira. No meu condomínio, caiu um barreira gigantesca e a gente fica morrendo de medo das chuvas do próximo verão. Esses cidadãos puxaram um caminho do meu condomínio até a barreira do Vidigal por baixo da copa das árvores. É um negócio bizarro — disse o morador que prefere não identificar.

O medo dos moradores é que a invasão chegue até o limite da área de proteção ambiental com o Vidigal, virando praticamente uma extensão da comunidade. Por isso, eles começaram a contratar o serviço de pilotos de helicóptero para fazer sobrevoos anuais na região e fotografar a favela que faz limite com o condomínio desde 2010, quando desconfiavam que havia gente da comunidade desrespeitando as ecobarreiras. Porém, atualmente, eles afirmam que o trabalho se intensificou e pode ser melhor notado no local. Há denúncias de que carros com material de construção têm chegado de madrugada, e que o cheiro de material sendo queimado pode ser sentido. Por isso, os moradores farão uma reunião para efetivarem que a área vire, efetivamente, um condomínio para que, assim, possam fechar a passagem a rua com uma cancela.

— Este número de casas vem aumentando significativamente e, aproveitando a pandemia, estão desmatando a Mata Atlântica sempre "na encolha", à noite. Atualmente já são sete casas lá, que ficam a pelo menos 100 metros do Vidigal pela mata — disse o morador que acompanha o caso.

Um outro morador fez uma denúncia na sexta-feira passada e abriu com um processo na última segunda-feira. De acordo com eles, também há grandes interesses envolvidos, inclusive, de quem mora no próprio condomínio. Um dos próprios moradores, por exemplo, estaria empregando esses posseiros e também impedindo o trabalho dos técnicos da Geo-Rio na área.

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente informou que enviou uma patrulha do Grupamento de Defesa Ambiental ao local a fim de averiguar a denúncia e providenciar, caso proceda, medidas a serem tomadas. Na quarta-feira, uma equipe do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) visitou o local e disse, aos moradores, que o laudo ficará pronto em 10 dias.