Moradores criticam ação da PM no Chapéu Mangueira, no Leme, e reclamam de truculência em revistas da UPP

Arthur Leal
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Custódio Coimbra em 15-4-2019 / Agência O Globo

RIO — Moradores do Leme e da comunidade Chapéu Mangueira, na Zona Sul, têm relatado nas redes sociais nos últimos dias queixas sobre truculência de agentes da UPP local durante ações na comunidade, que tem se intensificado. Num áudio compartilhado nas redes sociais, num grupo da comunidade, é possível ouvir o momento em que, de acordo com eles, um homem é executado mesmo após ter sido rendido, em localidade conhecida como Beco, próximo à escadaria da Rua Gustavo Sampaio, em ação que aconteceu na terça-feira da semana passada. Há barulho de disparos, gritos e xingamentos.

O que acontece a seguir, naquela terça-feira, também foi registrado num vídeo, publicado por moradores na semana passada. A cena é forte: o corpo de um homem, que de acordo com a Polícia Militar era traficante, estirado no chão, numa das escadarias da favela, ao lado de pelo menos dois PMs, enquanto é possível ouvir choros, que parecem ser de uma mulher e uma criança.

Na página "Meu Leme", no Facebook, um morador se queixou, também, que "agressões físicas, tapa na cara e socos no estômago" são rotina nas revistas praticadas pelos homens da UPP local.

Procurada, a Polícia Militar comentou sobre a ação e afirmou que PMs da UPP Chapéu Mangueira/Babilônia estavam em patrulhamento de rotina, quando foram atacados a tiros por criminosos e houve confronto. Segundo a corporação, dois suspeitos foram feridos, socorridos pelos policiais e morreram. Com eles, os agentes dizem que foram apreendidas duas armas e drogas. O comando da UPP, no entanto, instaurou procedimento apuratório para verificar a dinâmica da ocorrência, registrada na Delegacia de Homicídios da Capital.

Sobre a violência na região, a PM afirmou que, em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, as comunidades do Babilônia e Chapéu Mangueira foram palco de disputa entre facções criminosas rivais, o que fez com que o patrulhamento fosse intensificado em toda a área das comunidades e trilhas adjacentes, com objetivo de impedir a presença e disputa entre as quadrilhas e garantir a segurança da população local. Segundo a Polícia Militar, nenhum relato de agressões físicas, de impedimento ao uso das trilhas ou das ações de reflorestamento foi encaminhado ao comando da unidade neste período.

A UPP diz que segue realizando patrulhamentos diários no interior das comunidades e seu efetivo é constantemente orientado quanto às normas e legislações vigentes, bem como seguirá atento a todas as demandas da população das comunidades dos morros do Chapéu Mangueira, Babilônia e suas proximidades.

Por fim, a Polícia Militar afirmou que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes, e que ss canais da Corregedoria da Polícia Militar seguem à disposição dos cidadãos para denúncias, através do telefone (21) 2334-6045 ou ainda pelo e-mail ouvidoria_controladoria@pmerj.rj.gov.br. O anonimato é garantido.