Moradores da maior favela de São Paulo protestam contra Bolsonaro, a fome e o desemprego

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Foto: Divulgação
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  • Marcha da Panela Vazia reuniu mil pessoas

  • Moradores denunciam dificuldades

  • Manifestantes também lembraram as vítimas de covid-19

Moradores de Heliópolis, a maior favela de São Paulo, foram protagonistas de um protesto contra a fome e o desemprego na noite da última quarta-feira (24). Os manifestantes da “Marca da Panela Vazias” também levaram cartazes e velas - que serviram para criticar o encarecimento da conta de luz e homenagear as vítimas do covid-19.

"É muito triste sua filha pedir um pão e você não poder dar porque está tudo tão caro", declarou Simone de Bezerra Oliveira, desempregada, ao jornal Folha de S. Paulo.

Moradores também denunciaram que a principal fonte de alimentos para muitas famílias são as doações de cestas básicas. "Vim lutar pelo nosso direito de ter comida na panela”, disse Maria da Piedade Santos, 33, desempregada e mãe solteira de quatro filhos.

O ato começou às 18h30 em frente à sede da Unas (União de Núcleos e Associações dos Moradores de Heliópolis e Região) em Heliópolis, e passou por ruas da região. A organização estima que cerca de mil pessoas estiveram presentes. A marcha acabou em um ato ecumênico em frente à Igreja de Santa Edwiges, que reuniu representantes das igrejas católica, evangélica e religiões de matriz africana da comunidade.

A organização do ato é da Unas e da Associação Nova Heliópolis (Associação dos Moradores de Heliópolis e Ipiranga), além de outras entidades locais. elas são filiadas à CMP (Central de Movimentos Populares), que participa da coalizão de entidades intitulada "Fora Bolsonaro" que tem promovido atos contra a fome, o racismo e o governo Bolsonaro desde maio por todo o país.

Coros de “Fora Bolsonaro” foram puxados pelos manifestantes, que foram apoiados por moradores que batiam panelas das janelas de suas casas. Um carro de som leu os nomes das vítimas de covid-19 da comunidade.

O coordenador da CMP e morador de Heliópolis, Raimundo Bonfim, disse que o ato foi no bairro e no fim da tarde para facilitar a participação dos moradores, que geralmente trabalham durante o dia, incluindo nos finais de semana, e têm dificuldade para se deslocar até as regiões centrais, onde normalmente acontecem atos.

"Queremos motivar atos como esse nas periferias, onde a fome pesa mais do que regiões de classe média", disse Bonfim ao jornal.

"Quem tem fome tem pressa. E queremos uma política de inclusão social, e não um programa que acabe depois da eleição ano que vem", declarou Antonia Cleide Alves, moradora de Heliópolis há 52 anos e presidente da Unas.

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