Moradores da Praça da Bandeira evitam falar sobre cão morta por policial civil

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Horas após uma confusão entre artistas circenses e um policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) na Praça da Bandeira, ao lado do número 317, que culminou na morte de um cão de uma das artistas, moradores da região evitam falar sobre o caso. O autor do disparo foi Ney Côrtes da Silva, que moraria ao lado da praça, segundo quem se exercita no espaço. Testemunhas que viram a cena disseram que a confusão começou de repente, após o agente se irritar com a presença dos animais. Em depoimento ele nega e diz que temia ser atacado pelo vira-lata Estopinha.

— Aqui é uma praça que tem vários cachorros e as pessoas vêm passear com eles todos os dias. O pessoal do circo — os artistas circenses — vêm as segundas, quartas e sextas para os treinos e os cachorros ficam brincando na praça. A gente sabe que tem gente que mora aqui e não gosta dos cachorros. São pessoas poderosas e a gente não quer se meter com eles. A gente não pode fazer nada por medo. Eu desço todo dia com os meus cachorros — diz nesta terça-feira uma moradora, que, por medo, prefere não se identificar.

A mulher, que passeia sempre no local com seus animais, completou:

— Essa agressão é gravíssima. Ele sabe que não vai dar em nada e por isso ele se aproveitou. Os moradores estão lutando para que a praça seja cercada e tenha espaço para os animaizinhos ficarem à vontade — finalizou.

A empresária Luana Félix é dona de um petshop e conta que o fluxo de pessoas e seus animais aumentou na praça durante a pandemia da Covid-19.

— As pessoas se exercitam, passeiam com os cachorros, cuidam das plantas e até descansam. A associação de moradores está correndo atrás das melhorias. O pessoal do cachorro (que morreu) a gente só vê de vista treinando. Eles não são de arrumar problemas com ninguém — conta.

Um funcionário de uma empresa próxima do local diz que ouviu um disparo e logo em seguida notou a confusão generalizada e pessoas gritando.

— As pessoas começaram a se revoltar com o que aconteceu e começaram a questioná-lo. Em seguida a polícia chegou — disse.

Uma aposentada, vizinha da praça e que caminha no espaço de lazer todos os dias, criticou a postura do agente:

— É um absurdo fazer isso. Muitos animais cuidam do ser humano e ele vem e faz isso. Não tinha porque. Um bicho indefeso.

Por volta de 15h30m, policiais militares do 4º BPM (São Cristóvão) foram chamados pela artista circense, que, acompanhada de um amigo, alegava que Ney os havia ameaçado com arma de fogo e dado um tiro no seu cão. Na 18ª DP (Praça da Bandeira), o policial admitiu o disparo, mas alegou temer que o animal fosse atacá-lo.

O caso foi enquadrado no crime de maus tratos a animais, com o agravante morte, e diligências devem ser feitas nos próximos dias. Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria da corporação vai apurar o caso com rigor.

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