Moradores da Rua Umari, em Laranjeiras, se juntam para transmitir lives das varandas

Bruno Calixto

RIO — O que torna um lugar especial? Num tempo de tantas incertezas em torno de uma pandemia que, no Brasil, já se aproxima do sexto mês, outros fatores que não a relevância do bom convívio entre os vizinhos também influenciam na resposta. É inclusive uma questão de boa vizinhança que faz da pequena rua Umari, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, um point cheio de charme e ideias criativas. Naquela via sem saída e repleta de sobrados históricos, uma série de artistas independentes vêm se unindo a favor da música transmitida ao vivo, as famosas lives, realizadas diretamente das varandas das casas. Um detalhe, todo mundo ali se ajuda, a começar por um grupo de cinco moradores envolvidos com o mundo audiovisual que, mais unidos do que nunca, arregaçaram as mangas para viabilizar a produção, gravação e veiculação das atrações, atualmente com até peça de teatro. São eles: Katiana Tortorelli, Miguel Lindenberg, Dioclau Serrano, Mariana Florian e Gui Marques.

— Quando entrou a pandemia, nós, profissionais do audiovisual, reprogramamos a vida, porque tudo ia ser diferente. Juntamos os equipamentos da vizinhança, convocamos os artistas que estavam com disco novo na praça e precisavam de um material de divulgação para se mostrar. Estudamos muito para fazer estas lives darem certo. E com a rua mais deserta, pois muitos foram para o interior ou voltaram para as casas dos pais, sentimos que estaríamos mais seguros — comenta a diretora de fotografia Katiana Tortorelli.

O resultado é o projeto intitulado "Umari Concerts", inspirado no programa "Tiny Desk", que trata de série de vídeos com apresentações intimistas de músicas consagrados nos EUA. As gravações, assegura Katiana, seguem todos os protocolos de segurança contra a Covid-19.

No canal do projeto no YouTube (/UmariConcerts) estão 13 episódios, reunindo nomes que são tanto da rua Umari como de outras localidades do Rio. Entre eles, Julia Mestre, Julia e Ivo Vargas (Dois Varguinhas), Kalebe e Ana Carinhanha.

— Neste momento de shows cancelados, este festival é uma saída para termos um material bacana em mãos, com qualidade audiovisual — diz a cantora e violonista baiana radicada no Rio Ana Carinhanha. — Participei em uma das edições apresentando o meu álbum lançado em março, "Oriki", com oito músicas autorais nas quais eu misturo ritmos brasileiras, entre maracatu, forró e samba, além de um pouquinho de jazz e reggae também — conta.

A versão pocket de shows de jovens artistas do Rio têm atraído cada vez mais a atenção do público, abrindo portas e janelas para a produção musical criativa e inventiva de uma nova geração independente e autoral.

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