Moradores do centro de SP criam abaixo-assinado contra moradia para população de rua

População em situação de rua aumentou mais de 30% em SP desde 2020 e se concentra especialmente no centro da capital. (Foto: NELSON ALMEIDA / AFP)
População em situação de rua aumentou mais de 30% em SP desde 2020 e se concentra especialmente no centro da capital. (Foto: NELSON ALMEIDA / AFP)
  • Projeto da prefeitura visa criar conjunto habitacional com 1.200 vagas

  • Vizinhos temem aumento da violência e desvalorização de imóveis

  • Vila Reencontro será aberta no centro de SP no próximo semestre

Um abaixo-assinado circula entre moradores do bairro Bom Retiro, no centro de São Paulo, pedindo que a Prefeitura abandone um projeto que visa criar moradias para pessoas em situação de rua. As habitações serão construídas na Avenida do Estado, na altura do número 900.

A preocupação do grupo que coleta assinaturas é a desvalorização de seus imóveis residenciais e comerciais. Eles ainda afirmam se sentir inseguros, pois mais pessoas poderiam circular no local.

O conjunto habitacional se chamará Vila Reencontro, e está em fase de implantação, de acordo com a Prefeitura de São Paulo. O local contará com 350 unidades, já licitadas, e áreas de prestação de serviços para pessoas em situação de rua. Segundo o projeto, cada unidade terá um quarto, uma cozinha e um banheiro em 18 m². Na primeira fase, o projeto abrirá 1.200 vagas que terão como foco famílias, com ou sem crianças, e idosos, que estejam na rua há ao menos dois anos.

A moradia terá caráter transitório: cada família poderá ficar na habitação por até 18 meses. Além das unidades, a gestão municipal quer criar equipamentos de saúde, educação, assistência social, inclusão digital e produtiva no local. A inauguração tem previsão de acontecer no próximo semestre.

Uma empresária de 52 anos, que pediu ao jornal para não ser identificada, cuida do abaixo-assinado. Em sua opinião, os maiores problemas são a falta de segurança e a desvalorização dos imóveis, e por isso acredita que as habitações deveriam ser espalhadas por outras regiões da capital paulista. Ela calcula que o documento terá mil assinaturas e negou que a iniciativa tenha caráter higienista ou preconceituoso.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social diz desconhecer o abaixo-assinado. De acordo com a nota, o bairro é uma referência no atendimento à população em situação de rua, por isso foi escolhido.

"Para a nova instalação, todas as medidas de controle de acesso estão sendo dimensionadas. A estrutura está sendo planejada para receber um público de acordo com a capacidade de atendimento dos serviços, a fim de evitar ao máximo qualquer transtorno para a região.”

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