Moradores fazem ato um ano após operação policial que deixou 28 mortos no Jacarezinho

Moradores fazem ato um ano após operação policial que deixou 28 mortos no Jacarezinho (Foto: ANDRE BORGES/AFP via Getty Images)
Moradores fazem ato um ano após operação policial que deixou 28 mortos no Jacarezinho (Foto: ANDRE BORGES/AFP via Getty Images)

Moradores da favela do Jacarezinho realizaram protesto no dia em que completa um ano da operação da Polícia Civil que deixou 28 mortos na comunidade — a mais letal da história. Em ruas da região, os moradores escreveram que a ação policial foi uma "chacina". No ato também foram exibidos cartazes criticando o racismo estrutural com frases "vidas negras e faveladas importas".

— Olhamos com uma percepção que não tivemos nenhuma resposta até agora. Casos de investigação foram arquivados — diz Diego Aguiar, mobilizador social do Jacarezinho, que integra o grupo Observatório da Cidade Integrada.

O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou dois policiais civis pelos assassinatos de dois homens durante a operação mais letal da história do Rio, no Jacarezinho, em maio de 2021. Os inspetores Amaury Sérgio Godoy Mafra, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e Alexandre Moura de Souza, lotado na 22ª DP (Penha) à época do crime, são acusados dos homicídios de Isaac Pinheiro de Oliveira, de 22 anos, e Richard Gabriel da Silva Ferreira, de 23. Segundo a denúncia do MP, os policiais “efetuaram disparos contra as vítimas indistintamente, imbuídos da intenção comum de executá-las”. De acordo com a investigação, a versão de confronto apresentada pelos policiais foi desmontada pela perícia, que apontou que não havia sinais de troca de tiros no local do crime. As vítimas foram mortas com pelo menos 10 disparos.

Os agentes vão responder também por fraude processual, porque, segundo a denúncia, “apresentaram na Delegacia de Polícia, duas pistolas, dois carregadores e uma granada, alegando falsamente que foram recolhidos junto das vítimas Isaac e Richard”. Na denúncia, o MP também pediu que os agentes sejam afastados de operações policiais e sejam proibidos de manter contato com testemunhas.

A operação no Jacarezinho — que completa um ano nesta sexta-feira — terminou com um total de 28 mortos — entre eles, um policial civil, o inspetor André Leonardo de Mello Frias. A denúncia contra Mafra e Souza é a terceira remetida à Justiça pela Força-Tarefa formada pelo MP para investigar a operação. Outros dois policiais civis já haviam sido denunciados, em outubro de 2021, pelo assassinato de Omar Pereira da Silva. No mês passado, o MP também ofereceu denúncia contra Adriano de Souza de Freitas, o Chico Bento, e Felipe Ferreira Manoel, o Fred — chefes do tráfico do Jacarezinho — pelo homicídio do policial André Frias.

No terceiro andar do imóvel, ao entrarem num cômodo, o inspetor Alexandre de Souza diz ter visto Richard Gabriel tentando sair do local portando uma arma e, por isso, atirou no homem “para se defender” com a pistola que usava. Já o outro policial, Amaury Mafra, alegou que se posicionou ao lado do colega e viu Isaac empunhando uma pistola. Em seguida, o agente afirmou que, “para se defender, efetuou um disparo com seu fuzil AR10”. O disparo único de Mafra é corroborado pelo depoimento do colega. Por fim, os policiais alegam que apreenderam as duas pistolas que estavam com os homens.

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