Moradores do Jardim Maravilha, em Guaratiba, ficam ilhados após temporal

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As fortes chuvas dos últimos dias, mais uma vez, castigaram o loteamento do Jardim Maravilha, em Guaratiba, Zona Oeste do Rio. Na região, historicamente conhecida por sofrer com sucessivos alagamentos, moradores ainda estão ilhados dentro de suas casas devido à grande quantidade de lama que ficou espalhada pelas ruas em decorrência do temporal desta segunda-feira. A situação foi semelhante em outros 44 pontos da cidade, segundo a Defesa Civil.

Quem precisou sair de casa nesse feriado teve que encarar o lamaçal de esgoto, correndo o risco de pegar doenças. Foi o caso da dona Odeti Medeiros, de 62 anos que, para sair de casa, precisou colocar botas. Ela mora lá há 21 anos e diz que, desde então, não houve melhorias no escoamento de água durante as chuvas.

— Nem carro temos mais, porque o último que tivemos, perdemos na chuva: parte elétrica, motor... Tudo parou de funcionar. Quando chove, eu coloco as poucas coisas que tenho em cima de umas tábuas de madeira para não perder. Quando eu me mudar daqui, posso jogar quase tudo fora, porque não me restou praticamente nada. Essa realidade não é só a minha, mas também da maioria dos moradores — diz a moradora da Avenida Campo Mourão.

Segundo a idosa, a maioria das pessoas que compram casa no Jardim Maravilha, assim que percebe o problema das chuvas, já tenta vendê-la, mesmo que por um preço muito mais baixo. Diz ainda que, sempre que há chuvas fortes, uma equipe da prefeitura visita o local, mas nunca resolve o problema:

— Quem mora aqui não tem o direito de ter nada de valor, muito menos veículo: quando começa a chover, quem tem carro sai com ele do loteamento para não perder. Esse já é o terceiro colchão que compro, por exemplo. Num temporal muito forte que teve outra vez, uma cobra entrou na minha casa e subiu no meu fogão. Fiquei em pé em cima de um banco, desesperada. A água já chegou a alcançar 80 centímetros dentro da minha casa.

Rafaela Ferreira tem 28 anos e mora há apenas quatro no Jardim Maravilha. Ela conta que não conseguiu sair de casa ontem porque a chuva encheu a Rua 83, onde mora. Os valões e bueiros do loteamento são todos entupidos, impedindo a água de escoar, diz Rafaela:

— Está sendo um sacrifício até para sair de casa para comprar pão, pois ficamos praticamente ilhados. Ao longo da semana, as chuvas já estavam enchendo as ruas, mas ontem foi muito pior. Assim como nas outras chuvas, nenhum carro conseguiu entrar aqui na região. Quando meu pai quando vem aqui, tem que deixar o carro na Rua Letícia, porque lá a água costuma escoar mais rápido. Desde que vim para cá, já vi entrar rato, lacraia e todo tipo de bicho dentro de casa. Dessa vez, por pouco, a água não entrou — conta ela, que mora com o marido e dois filhos, um recém-nascido e um seis anos.

No dia 13 de setembro, a prefeitura anunciou que, com o dinheiro dos leilões da Cedae, lançaria um pacote de ações com R$ 5 bilhões voltado para educação, infraestrutura e saúde, incluindo obras no Jardim Maravilha.

Segundo o município, até dezembro, o detalhamento dos projetos para a região ainda está sendo desenvovido, com prazo para ficar pronto em dezembro e execução prevista para iniciar em janeiro. Serão R$ 300 milhões em ações sociais e de infraestrutura e, até a resolução total do problema, a Secretaria de Conservação tem feito ações pontuais nessas áreas com o objetivo de amenizar o transtorno dos moradores, explica a prefeitura.

A Defesa Civil da cidade do Rio informa que, entre as manhãs de segunda e terça-feira, recebeu 56 chamados. Entre as ocorrências com mais solicitações estão: pedidos de vistoria em imóvel com rachaduras ou infiltrações (25) e pedidos de vistoria em ameaça de desabamento de estrutura (12). Os bairros com mais chamados foram: Campo Grande (7), Guaratiba (4), Recreio (3), Penha Circular (3), Riachuelo (2), Vaz Lobo (2), Praça Seca (2), Tanque (2), Taquara (2), Tijuca (2), Maracanã (2) e Gamboa (2).

Do total de pedidos recebidos, 14 foram classificados como emergenciais. As vistorias realizadas entre segunda e terça resultaram na interdição de oito imóveis nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Gamboa, Guaratiba e Freguesia.

Sobre deslizamentos de encostas, barreiras e taludes, quatro chamados foram recebidos nos bairros Mangueira, Andaraí, Pavuna e Vila da Penha mas, até o momento, não foram registrados incidentes com gravidade ou feridos, completa a Defesa Civil.

O EXTRA ainda aguarda um posicionamento da Secretaria de Assistência Social do município e do governo estadual a respeito de eventuais desalojamentos em razão da chuva.

De acordo com o Alerta Rio, entre a quarta-feira (3) e sábado (6), a nebulosidade diminuirá aos poucos e não há previsão de chuva para a cidade do Rio no período.

Os problemas provocados pelo temporal não se restringiram apenas à capital. Em São Gonçalo, além de alagamentos em diversos bairros, o desabamento de um prédio no Jardim Catarina deixou uma mulher de 60 anos ferida, que foi levada com ferimentos leves ao Hospital Luiz Palmier, no Centro do município. Nove famílias do bairro, totalizando 38 pessoas, ficaram desabrigadas por causa da chuva.

Segundo a Secretaria de Assistência Social, essas famílias estão abrigadas no ponto de apoio na Escola Municipal Professora Aida Viera de Souza, no mesmo bairro, recebendo refeições e doações de roupas. Equipes da Subsecretaria de Proteção Especial mapearam as famílias que precisam de abrigo e realizaram o encaminhamento para a retirada de documentos.

De acordo com a Subsecretaria de Defesa Civil de São Gonçalo, os bairros mais afetados pela chuva foram Jardim Catarina, Itaúna e Pião. "Equipes das secretarias de Saúde e Educação também estão atendendo as famílias. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano esteve nas ruas providenciando a retirada de lixos e galhos de árvores que obstruíam a passagem de pedestres e veículos", diz a prefeitura.

Em Duque de Caxias, a Defesa Civil registrou quatro ocorrências: dois deslizamentos de terra e duas quedas de árvores. As árvores atingiram uma casa, na Rua Araraquara, no Parque Fluminense; e outra na Rua Salamandra, em Parada Angélica. Não houve danos estruturais em nenhum dos imóveis, diz a Defesa Civil. Os dois deslizamentos de terra, sem vítimas, ocorreram na Rua Adriano, no bairro 51, em Xerém; e na Rua Belo Horizonte, em Vila Bonança, no quarto distrito.

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