SIP expressa preocupação com restrições à imprensa e autoritarismo

Miami, 2 mai (EFE).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) lembra nesta quarta-feira o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com uma conferência em Miami que traz uma mensagem de preocupação em relação às crescentes restrições ao trabalho dos jornalistas e à persistência do "autoritarismo" em países como Cuba, Venezuela e Nicarágua.

O presidente da SIP, o peruano Gustavo Mohme, afirmou que "a falta de proteção dos jornalistas para realizarem seu trabalho com segurança e sem restrições e as várias denúncias de ataques à imprensa se manifestam de várias formas e em muitos países" do continente americano.

A mensagem pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que é comemorado amanhã, dia 3 de maio, complementa a conferência que acontece hoje e é realizada pela SIP, pelo Instituto Interamericano para a Democracia (IID), pela Fundação pelos Direitos Humanos em Cuba e pela Fundamedios.

A conferência conta com a participação do jornalista, escritor e analista cubano Carlos Alberto Montaner, exilado em Miami e presidente do IID, da jornalista cubana independente Yoani Sánchez e de Ricardo Trotti, diretor-executivo da SIP, organização que reúne meios de comunicação impressos e digitais de todo o continente.

O evento será inaugurado pelo prefeito da cidade de Doral, Juan Carlos Bermudez, que fica no condado de Miami-Dade e conta com uma grande comunidade de venezuelanos, onde acontecerá a conferência.

Mohme lembrou em sua mensagem que, de maio de 2017 até agora, 23 jornalistas foram assassinados no exercício de sua profissão.

Brasil, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras e México, países onde ocorreram alguns desses crimes, são democracias "funcionais" como muitos países da região, mas, segundo Mohme, apesar disso, são lugares em que "proliferam as restrições ao exercício do jornalismo".

Esses impedimentos vão desde leis e decretos, até o estrangulamento financeiro dos veículos de imprensa, a censura, o assédio e, por fim, a morte.

Contra tudo isso luta a SIP, através do sistema interamericano de direitos humanos, para "conseguir a justiça que é negada (aos jornalistas) em vários países e para confrontar a impunidade", disse o presidente da SIP.

Mohme, que escreve para o jornal peruano "La República", mencionou o caso do jornalista colombiano Nelson Carvajal, assassinado há 20 anos, e ressaltou que a organização espera com impaciência a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) sobre o caso.

O presidente da SIP também citou o premiado jornalista americano Anthony Lewis ao assinalar que, "para a imprensa latino-americana, a morte não é uma metáfora, mas uma realidade" e pediu que cada um reflita sobre o papel que desempenha na defesa da liberdade de imprensa.

Mohme, além disso, mencionou o "autoritarismo ainda existente" em Cuba, Nicarágua e Venezuela e ressaltou que, por isso, defendeu diante da 8ª Cúpula das Américas, realizada em abril no Peru, a necessidade de insistir na promoção da democracia e na denúncia das violações de direitos humanos.

"Só deixaremos de reivindicar quando todos os nicaraguenses, venezuelanos e cubanos tiverem o direito de escolher livremente seus representantes, que se respeite a dissidência e as pessoas possam exercer os direitos de reunião, movimento e expressão", afirmou Mohme.

O presidente da SIP também disse que a revolução digital apresenta novos cenários e desafios em relação às liberdades e ressaltou que a SIP está dedicada a incorporar à Declaração de Chapultepec novos princípios como resposta às novidades digitais. EFE

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