Moradores de Kherson celebram nas ruas retomada da cidade pela Ucrânia

GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Alívio, esperança. Moradores da cidade de Kherson, retomada pela Ucrânia na última sexta-feira (11) após oito meses de ocupação russa, descreveram desta forma como se sentiram ao assistir ao recuo das tropas de Moscou. Nas ruas, eles celebraram com bandeiras de seu país, frases e gestos de agradecimento aos soldados.

Russos tomaram a cidade portuária nos primeiros dias da guerra, em março. Mais recentemente, a região foi uma das sujeitas a referendos, condenados internacionalmente, de anexação à Rússia. Outdoors com a propaganda da votação ainda eram vistos nas ruas.

Centenas de pessoas se reuniram em diferentes partes da cidade para celebrar a retomada ucraniana. À rede Sky News um residente, Andrey, disse sentir profundo alívio. "Viver sob ocupação por oito meses foi horrível. Tinha certeza de que veria isso [a retomada], mas não tão rápido. Nunca sabíamos o que esperar. Às vezes, eles [os russos] detinham uma pessoa e ela desaparecia para sempre."

Outro morador, Alex, disse que os soldados do país estão sendo recebidos como heróis. "Olhe para os olhos das pessoas. Elas respiram livremente pela primeira vez em oito meses. Isso não pode ser colocado em palavras: somos livres."

Alex Rossi, correspondente da Sky News e um dos primeiros jornalistas a chegar ao local, foi recebido por alguns dos moradores com abraços na manhã deste sábado. Muitos dos presentes choravam, e alguns conversavam com soldados ucranianos no local.

Relatos semelhantes foram feitos à rede CNN, que observou dezenas de residentes comemorando na praça central de Kherson e hasteando bandeiras no topo de prédios públicos. "Nos sentimos livres, não somos escravos, somos ucranianos", disse Olga, uma moradora.

A euforia vem acompanhada de desafios que o governo ucraniano terá de solucionar. O acesso à energia elétrica, à água e à internet na cidade foram danificados nos últimos meses.

Kiev tomou a retomada como uma conquista de peso. O chanceler Dimitro Kuleba, que está no Camboja como convidado para uma reunião da Asean, a Associação de Nações do Sudeste Asiático, disse que a ação representa uma vitória conjunta do Ocidente. "Poucos acreditavam que a Ucrânia sobreviveria."

Em uma rede social, ele agradeceu aos EUA pelo apoio financeiro e armamentista na guerra. A conquista também foi celebrada por Antony Blinken, secretário de Estado americano, para quem o Exército ucraniano demonstrou "extraordinária valentia". Ele disse que o apoio de Washington seguirá pelo tempo necessário para derrotar a Rússia.

A primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, também celebrou a retomada. Ela compartilhou nas redes sociais um vídeo, que não pôde ser verificado de forma independente, com moradores recebendo soldados do país nas ruas. "Imagens que trazem lágrimas aos olhos de todos os ucranianos. Os nossos estão em casa. Kherson está livre."