Moradores do Leblon se organizam em protesto contra ocupação das calçadas pelos bares e barulho das ruas

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RIO — Um grupo de moradores do Leblon se reuniu na manhã deste sábado para protestar contra bares e restaurantes da região. O encontro aconteceu na Praça Cazuza, onde as pautas foram debatidas. Em seguida, eles seguiram pela Rua Dias Ferreira, mostrando uma faixa aos estabelecimentos.

A principal reclamação dos moradores é sobre as mesas e cadeiras colocadas nas calçadas, que não dariam passagem aos pedestres, e sobre barulhos provocados pelos frequentadores dos estabelecimentos e por quem fica na rua, no entorno dos bares e restaurantes.

— Aqui tem um bar em que botam a televisão virada para a calçada. Ou seja, chamam as pessoas para ficarem na rua. A prefeitura não está nos escutando. Queremos ver o que podemos fazer. Não queremos impedir que os bares funcionem, mas que haja um equilíbrio — explica Luiz Carlos Rodrigues, de 68 anos, que mora no bairro há mais de 40 anos.

Em janeiro, a prefeitura do Rio ampliou os dias e horários em que os bares e restaurantes da cidade podem instalar mesas na calçada, que passou a ser de quinta a domingo. Na decisão que vale até o fim deste ano, os estabelecimentos precisam deixar pelo menos 1,5m para a passagem de pedestres e também podem usar espaços de estacionamento da CET-Rio para colocar as mesas. A medida seria para diminuir a possibilidade de contágio pelo novo coronavírus.

— A principal pauta a ser encaminhado será a exigência da fiscalização por parte da prefeitura e dos órgãos públicos. Outras medidas incisivas no âmbito jurídico estão sendo tomadas. Fizemos um abaixo-assinado que circulou durante a reunião, até agora está com 100 assinaturas — conta a moradora Aline Barbosa, de 38 anos.

Segundo os moradores, as propostas foram apresentadas na reunião e agora vão ser organizadas para que eles estabeleçam um passo a passo de suas ações. O grupo também pretende designar pessoas para acompanharem algumas dessas ações, entre elas uma carta que foi enviada ao Ministério Público do Rio em outubro do ano passado.

Novo polo gastronômico

Esta semana, foi aprovado um projeto na Câmara de Vereadores que torna a Rua Dias Ferreira um polo gastronômico da cidade. Para o presidente do conselho da associação de comerciantes da região, Edgar Esch, isso pode facilitar os projetos para a região.

— Quando você se torna um polo, fica dentro de um programa específico na prefeitura e o poder público pode se engajar mais. Estamos extremamente engajados em deixar a rua organizada. Já tivemos na Secretaria de Ordem Pública (Seop) e na RioTur. Claro que tudo é um processo. Temos um projeto de iluminação e urbanismo. Queremos ordenar a ocupação das vagas de carros. É um projeto que tem consistência — explica o comerciante, que diz que a presença de vendedores ambulantes está menos frequente no local, e isso que favorecia que as ruas ficassem lotadas, como foi observado no fim de 2020, além de estender o horário das pessoas nas calçadas.

Já para os moradores, grupos de pessoas que levam sua bebidas compradas em supermercados e colocam caixas de som na rua e nos carros também aumentam a ocupação do local.

Além das aglomerações, que seguem sendo proibidas pelo poder público, as festas também não estão permitidas. Nesta sexta à noite, imagens circularam nas redes sociais mostrando festas lotadas na Zona Norte. Em Madureira, um evento dentro da boate Papa G reuniu um público imenso, já na Avenida Braz de Pina as aglomerações foram nos bares.

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