Moradores de Manguinhos criticam ação da polícia com 6 mortos no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Lideranças comunitárias da favela de Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro, criticam a atuação da Polícia Civil durante tiroteio que matou seis pessoas, na manhã de terça-feira (12). Duas pessoas foram presas.

Segundo moradores ouvidos pela reportagem, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil dispararam em direção a uma área movimentada da favela, no horário em que muitas pessoas, inclusive crianças, circulavam pelas ruas. Questionada, a corporação não se manifestou.

A Polícia Civil afirma que equipes do Esquadrão Antibombas foram alvos de tiros quando passavam pela avenida Dom Hélder Câmara, a caminho da Cidade da Polícia, localizada a poucos metros de Manguinhos. A Core, equipe de elite da polícia, foi acionada. O tiroteio interrompeu a circulação dos trens na região.

"Não estamos questionando se eram pessoas envolvidas com o tráfico ou não. O problema é a forma como os policiais chegaram, de maneira brusca, rápida", afirma Diego Santiago, 33, funcionário da Biblioteca de Manguinhos e ativista local.

Segundo Santiago, 4 dos 6 mortos foram atingidos ainda na entrada de Manguinhos, uma área de comércio intenso. "Havia risco de mais pessoas serem atingidas, inclusive inocentes. As crianças estão de férias, nas ruas."

Um dos mortos foi David Ottoni, 25, filho de uma ativista que comanda o projeto Estrelas do Mandela, escolinha de futebol feminino para crianças e pré-adolescentes. Na ação, Carlos Alberto de Carvalho Cesário, 23, e Vitor Marques de Oliveira, 30, foram presos em flagrante. Seis pistolas e uma granada foram apreendidas.

Uma moradora, que preferiu não se identificar, diz ter participado da retirada dos corpos e conta que a tia teve a parede do quarto perfurada com um dos tiros da ação.

Outra moradora, que também pediu anonimato, conta que a comunidade está apreensiva porque, segundo ela, a última operação da Polícia Civil foi diferente das incursões habituais. A ação terminou com muitos mortos em pouco tempo, diz.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram moradores protestando contra os policiais, enquanto os corpos são retirados da favela. A rua Leopoldo Bulhões, principal via da região, chegou a ser fechada por manifestantes na tarde de terça-feira.

Segundo a Polícia Civil, os seis homens foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento de Manguinhos (UPA), mas não resistiram.

"Se eu estou na rua e acontece uma ação com tiroteio, eu, como homem negro, tenho a reação de correr para tentar me abrigar. Só depois dos tiros vão ver se a pessoa baleada é cidadão comum ou não. A população de Manguinhos protesta porque está cansada dessa rotina", disse Santiago.

Filipe dos Anjos, secretário-geral da Faferj (Federação das Associações das Favelas do Rio), cobrou mais ação do estado para evitar operações como a de Manguinhos. "Nós precisamos de políticas de Estado, de longo prazo."

Procurada, a Polícia Civil não divulgou o nome dos mortos nem se eles participaram do tiroteio. A Polícia Militar afirmou que não houve necessidade de reforçar o policiamento na favela nesta quinta-feira (14), e que a região segue "sem alteração".

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