Moradores do morro do Querosene, em SP, protestam contra prédio de 19 andares na região

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Moradores e associações do morro do Querosene, na zona oeste de São Paulo, vão realizar um ato neste sábado (20) contra a construção de um prédio na região que terá 19 andares e 254 apartamentos.

O bairro é enquadrado como ZER (Zonas Exclusivamente Residenciais), mas na última revisão do Plano Diretor, em 2014, alguns terrenos localizados na rua Afonso Vaz tiveram seu status alterado para ZEIS (Zona Especial de Interesse Social), classificação da legislação municipal para áreas voltadas à construção de moradia social.

Os lotes foram adquiridos pela Construtora TSR. Segundo o anúncio do empreendimento, o edifício terá ainda dois subsolos para garagem, além de área com piscina e churrasqueira.

Os moradores temem a descaracterização da região e o impacto dos novos moradores no bairro, que tem ruas pouco movimentadas.

Atualmente, as vias da região servem de palco para manifestações culturais, como cortejos de maracatu, samba de roda e apresentações de uma orquestra de berimbaus, além de um projeto que ensina capoeira para crianças. Todas essas iniciativas são organizadas pelos próprios moradores, que temem o fim das atividades com a intensificação do trânsito de automóveis.

Os habitantes do morro do Querosene também questionam se o empreendimento é realmente voltado para a população de baixa renda.

Além disso, um laudo encomendado pela Associação Cultural da Comunidade do Morro do Querosene apontou a existência de uma nascente de água na região. A avaliação foi realizada pelo Instituto Geográfico e Cartográfico (IGC) em novembro de 2021.

Nesta semana, o vereador Toninho Vespoli (PSOL-SP) enviou um ofício à secretaria municipal do Verde e do Meio Ambiente pedindo que o alvará de construção seja paralisado "até que a existência da nascente (e respectivo fluxo d’água) esteja confirmada".

Procurada, a construtora afirma que o empreendimento está dentro da lei e "tem aprovação dos órgãos do patrimônio, inclusive alvará de execução da Prefeitura".

Segundo a empresa, 60% do empreendimento é destinado para pessoas com renda de até três salários mínimos, com "pagamento de quatro parcelas de R$ 1.500, mais parcelas mensais de R$ 500".

A construtora afirma ainda que o empreendimento "em nada afetará os movimentos culturais realizados em torno da Chácara da Fonte, localizada há cerca de 800 metros de distância dos imóveis, que permanecerá preservada como patrimônio histórico, cultural e ambiental do bairro".

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