Moradores de Nova Iguaçu cobram abertura de hospital modular, que já teve inauguração adiada três vezes

Flavio Trindade
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Mesmo após o aumento da ocupação de leitos por pacientes com Covid-19 e com mortes e casos da doença subindo, o governo do Rio não pretende antecipar a abertura do hospital modular de Nova Iguaçu, prevista para o dia 5 de abril. Com capacidade para 300 leitos, sendo 120 de terapia intensiva e 180 de enfermaria, a unidade seria fundamental no atual cenário.

Ontem, o governador Claudio Castro informou que está trabalhando na abertura de novos leitos e prometeu a inaugurar cerca de 500 vagas até o fim de março, além de afirmar estar buscando parcerias com hospitais federais. A abertura do Hospital Modular, porém, não foi alterada.

“Como anunciado durante a entrevista, o Hospital Modular, em Nova Iguaçu, será inaugurado até dia 5/4. A única solução para conter a Covid-19 é investir na vacina. Só desse modo o povo poderá enfrentar possíveis novas ondas de contágio”, escreveu Castro.

A obra do hospital modular custou cerca de R$ 50 milhões e foi concluída em junho do ano passado. O secretário estadual de saúde, Carlos Alberto Chaves, prometeu, inicialmente, abrir metade dos leitos no dia 20 de janeiro, mas depois estendeu o prazo, pois o Tribunal de Contas do Estado recomendou uma nova concorrência. A Cruz Vermelha do Rio Grande do Sul foi, então, a única organização social habilitada pela Secretaria de Saúde e venceu a licitação em janeiro, que no mês seguinte foi anulada, deixando a abertura sem prazo.

Enquanto isso, moradores de Nova Iguaçu lamentam passar pela Avenida Governador Roberto Silveira e ver o hospital, cuja aparência externa é de estar pronta, com as portas fechadas. O ambulante Yuri Caleb, de 23 anos, reclamou da demora.

— Olhando aqui de fora, não vejo o que falta para funcionar. Está tudo aparentemente finalizado. Não sou especialista, mas a gente vê na TV tanto caso de gente morrendo sem vaga em hospital, e eu sei que essa obra foi cara. Será que o que falta não é algo que possa ser resolvido de um dia para o outro? — questionou.

Taxa de ocupação de leitos está alta no Hospital da Posse

O também ambulante Rodrigo Milas, de 40 anos, diante do aumento de casos e mortes por Covid-19, acha que falta boa vontade dos governantes para que o Hospital Modular de Nova Iguaçu finalmente comece a funcionar e receber os pacientes que tanto precisam.

— Passo aqui todo dia e essa obra está pronta há muito tempo. Acho que falta mesmo é vontade dos políticos de colocarem para funcionar. Eles querem é fazer inauguração com festa, fogos e toda aquela farra, para chamar a atenção. Vai ver estão esperando essa chance — afirma o ambulante.

Enquanto o hospital modular segue fechado, outra unidade da cidade que atende pacientes com Covid-19 está próxima de seu limite. Ontem, o Hospital Geral de Nova Iguaçu, o Hospital da Posse, está com 42 de seus 50 leitos ocupados, uma taxa de 84%. Em nota, a Prefeitura de Nova Iguaçu afirmou que aguarda a abertura da unidade, para auxiliar a rede de saúde no tratamento aos pacientes com a doença de toda a Baixada Fluminense que buscam atendimento no município.