Moradores prometem resistir à reintegração de terreno em Campinas

MARTHA ALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As famílias que moram em um terreno de cerca de 100 mil metros quadrados, conhecido como Ocupação Nelson Mandela, na região do Jardim Capivari, em Campinas (93 km de São Paulo), disseram que vão resistir à reintegração de posse, programada para ocorrer nesta terça-feira (28).

O terreno particular localizado na rua André de Campos Souza foi ocupado pelas famílias de sem-teto há cerca de dez meses. Segundo os moradores, a área está abandonada há 40 anos e servia de local para desova, estupro e tráfico de drogas.

A dona de casa Célia Maria dos Santos, 48, uma das lideranças do grupo, disse que há cerca de um mês a coordenação da ocupação e o advogado foram chamados para uma reunião e avisados que a reintegração ocorreria até o final deste mês. "A data ficou sigilosa até o momento que saiu por volta das 20h que ia ter a reintegração de posse", falou.

Os moradores da Nelson Mandela reclamam que nenhum conselheiro tutelar ou funcionário do Serviço Social da prefeitura foi ao local para falar sobre novas acomodações para os moradores. Segundo eles, atualmente vivem 649 famílias na ocupação, dos quais 423 crianças e adolescentes.

Célia falou que por várias vezes os moradores tentaram falar com o prefeito de Campinas Jonas Donizete (PSB), mas eles nunca foram recebidos. "O caso também chegou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) que respondeu que não tinha o que fazer", falou a liderança.

Na madrugada desta terça, os moradores fizeram uma vigília para decidir como será a resistência. Também foi montada uma cozinha coletiva no local para preparar a alimentação.

OCUPAÇÃO

Os moradores da ocupação Nelson Mandela começaram a montar os primeiros barracos de madeira no terreno há cerca de dez meses. Segundo eles, a maioria das pessoas que se mudou para o local ficou desempregada e sem condições financeiras de pagar o aluguel.

Célia foi uma das primeiras moradoras do local. Ela disse que ficou desempregada e se mudou para o local após ter sido despejada da casa onde morava.

"Com a crise e todo mundo desempregado em Campinas, foi chegando o pessoal. Chegou a ter 800 barracos, mas hoje moram 649 famílias", disse Célia. As duas filhas dela, que são casadas e estão desempregadas, também têm barracos no local.