Moradores de Queimados, na Baixada Fluminense, listam problemas diários, como lixeira a céu aberto e falta de iluminação

Cíntia Cruz
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Foto: Cléber Júnior

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Foto: Cléber Júnior

A estudante Bruna dos Santos Souza, de 18 anos, tem como vizinhos uma lixeira e a escuridão. Moradora do Belmonte, em Queimados, na Baixada Fluminense, a jovem, assim como outras pessoas que vivem em bairros próximos à linha férrea, reclama do abandono.

— Essa lixeira não é limpa. A prefeitura vem e empurra o lixo para abrir o caminho. Às vezes, até animais mortos são deixados aqui. É um cheiro insuportável. Meu medo é contaminar a tubulação de água que passa por aqui — denunciou Bruna, que mora na Avenida Yeres.

A última vez em que a prefeitura esteve no local foi há oito meses, disse Bruna. Além do lixo, a iluminação é motivo de preocupação. Uma lâmpada queimada há dois anos ainda não foi trocada, contou ela:

— Trocaram o fio que estava arrebentado, mas não consertaram a luz. Tem um ponto de ônibus, mas as pessoas ficam do outro lado e só vêm quando o ele chega, porque fica escuro.

Se não bastassem o lixo e a falta de iluminação no seu bairro, Vila Nanci, o operador de telemarketing Rodrigo Mendes, de 31 anos, tem ainda como vizinho um valão, que, na verdade, é o Rio Morto:

— Moro na Rua 13, e lá tem um lixão que só quem limpa às vezes é um vereador. Na Rua 14, bem ao lado da minha, não tem luz. O valão não é limpo há muito tempo. A gente pede na prefeitura e não tem resposta.

No bairro Vila Central, os moradores, cansados de esperar, aterraram parte da Rua Rosário. Mas outras vias continuam com os mesmos problemas.

— Moro há quatro anos e até hoje espero que calcem a rua. Cada morador deu R$ 50 para contratar caminhões de aterro. Mas, para ir ao ponto de ônibus, a gente tem que passar pela Rua Estocolmo, que está horrível. Nenhuma rua aqui é asfaltada. Só a principal — afirmou a dona de casa Cremilda Emília Alves, de 47 anos.

O bairro sofre ainda sem abastecimento da Cedae e sem rede de esgoto. Cremilda disse que até água foi comprada pelos moradores:

— Nós mesmos que puxamos com a bomba, mas às vezes não cai. Então, a gente paga por caminhão-pipa.

A Cedae disse que tem parceria com Queimados para esgotamento sanitário e que, no caso dos locais informados, dá apoio na manutenção da rede unitária existente. Disse também que já tem estudos para a implantação de redes de esgoto na região.

Em nota, a Prefeitura de Queimados disse que já tem um projeto para pavimentar as ruas que ainda faltam do bairro Vila Central, mas que está buscando recursos para a execução das obras. Sobre a coleta de lixo, informou que o serviço tem ocorrido regularmente em toda a cidade. A prefeitura disse ainda que, em caso de qualquer problema, o morador pode procurar a Secretaria de Serviços Públicos.

A administração municipal garantiu que o serviço de iluminação pública também está funcionando normalmente e disse que, para solicitar o reparo, o morador precisa entrar em contato através do 0800-7277173, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Mas ressaltou que a manutenção da iluminação das regiões citadas já foram encaminhadas ao setor responsável.

Já em relação ao Rio Morto, informou que o mesmo já passou por uma limpeza neste ano, mas que a manutenção dos rios é de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea)

O Inea respondeu que neste ano “realizou o desassoreamento de, aproximadamente, 8,5km de rios no município de Queimados, especificamente dos rios Quebra-coco, Queimados e Abel” e que, no momento, “a ação beneficia o Rio Camorim”. Sobre o Rio Morto, falou que vai fazer uma vistoria no local para “checar as condições da região para estudo de viabilidade das intervenções”.