Moradores do Salgueiro denunciam que PMs invadiram casa e fizeram churrasco durante operação

·3 min de leitura

RIO — Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, denunciam que durante a operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na localidade das Palmeiras, no último fim de semana, policiais militares invadiram casas, agrediram moradores e até usaram um espaço de festas como bunker – entre sábado e domingo – para fazer churrasco e consumir bebidas alcoólicas. A operação terminou com nove suspeitos mortos e ficou marcada pela cena de moradores retirando corpos de um mangue da comunidade. Após as denúncias das supostas invasões, moradores temem possíveis represálias dos agentes que teriam entrado no local e permanecido lá por quase 24 horas.

A informação das invasões das casas foi divulgada nesta quarta-feira pela “Folha de São Paulo” e confirmada pelo EXTRA. A associação de moradores do Complexo do Salgueiro confirmou o suposto fato e afirmou que a “invasão dos PMs foi uma arbitrariedade e um abuso de autoridade". Jaqueline da Silva, presidente da associação de moradores do Salgueiro, disse que o local supostamente arrombado pelos militares é um espaço de festas da comunidade. Ela critica a atuação dos PMs.

– Os moradores contaram que eles passaram o dia lá. Ali é um espaço de festas particular. As pessoas alugam para festas. Eles entraram, beberam e comeram o que tinha lá dentro. Inclusive, teriam feito churrasco e consumiram a bebida alcoólica do local – conta a presidente da associação, que destaca:

– Com medo o dono não registrou o boletim de ocorrência. Infelizmente, aquilo foi um abuso de autoridade e não pode ficar assim.

Procurada, a Polícia Civil afirmou que nenhum morador registrou boletim de ocorrência e que “se de o fato aconteceu, caberá a Corregedoria da PM investigá-lo”. A Civil destacou que esse é um crime militar. A Polícia Militar ainda não comentou as denúncias.

De acordo com moradores do bairro, os policiais entraram no espaço de festas, ainda na tarde de sábado, e só saíram no domingo, após o fim da operação. No local, os moradores relatam que os agentes fizeram churrasco, consumiram as bebidas que estavam na geladeira e, na saída quebraram mesas, cadeiras, prateleiras e freezers. O imóvel pertence a um comerciante que está em estado de choque e teme por fazer um boletim de ocorrência.

O estopim para a operação foi a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, do 7º BPM (São Gonçalo), que patrulhava a comunidade na manhã de sábado. Logo após a morte, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado, entrou na favela e saiu no início da noite de domingo.

Até agora a PM não informou, nem à Polícia Civil e nem ao Ministério Público do Estado, o número de policiais que estavam na ação e nem os seus respectivos nomes.

– No sábado eles (os PMs) arrombaram o portão por volta das 9h. Eles saíam e voltavam. Usaram lá como abrigo – destaca uma moradora de 29 anos, que completa: – Fizeram churrasco, beberam tudo o que tinha na geladeira e no final quebraram o portão, o freezer, levaram uma televisão, um roteador, além de espalharem tudo pelo espaço de festas – destaca a mulher que, por medo, prefere não se identificar.

Um outro morador critica a postura dos militares e teme pela segurança.

– Como vamos registrar um boletim de ocorrência? Eles sabem onde moramos. Infelizmente, é um descaso do estado. A gente deveria confiar na PM, mas eles são os vilões. É óbvio que o dono não vai fazer boletim de ocorrência porque ele tem medo. Teme pela vida. O amigo está a base de remédio e nem sabe o valor do prejuízo – conta um antigo morador da favela, que ainda diz que “a morte de um policial militar gerou essa operação mal sucedida”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos