Moraes diz que TSE vai apurar se houve desvio de finalidade ou abuso de poder em operações da PRF no dia das eleições

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, afirmou neste domingo que a Corte vai apurar se houve desvio de finalidade ou abuso de poder nas operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizadas neste domingo.

— Nós iremos apurar se houve desvio de finalidade e se houve abuso de poder — disse.

Além disso, Moraes afirmou que o TSE vai verificar a razão para a realização das operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) neste domingo.

— O TSE vai fazer duas coisas, uma já fez e fará mais uma. Verificar se houve prejuízo aos eleitores e não houve prejuízo. Em relação a eventual atraso, isso sempre há prejuízo, mas não ao transporte garantido ao eleitor. Segunda questão é que o TSE vai analisar é o porque essas operações ocorreram e se houve problema interpretativo. Questão de onde é feita a operação não é da alçada do TSE.

Moraes afirmou que as operações apenas retardaram a chegada dos eleitores ao locais de votação, mas não impediram ninguém de votar. O ministro descartou a ampliação do horário de votação.

— O diretor da PRF veio até o TSE há poucos momentos explicar essa questão e vai documentar depois. Foram realizadas operações com base no Código de Trânsito Brasileiro. Ou seja um ônibus com pneu careca, um ônibus com farol quebrado sem condições de rodar, era abordado e era feita a atuação. Isso em alguns casos retardou a chegada dos eleitores à seção eleitoral, mas em nenhum caso impediu que os eleitores que chegarem às suas seções eleitorais — disse.

E reafirmou:

— Não houve retorno à origem dos eleitores. Os eleitores seguiram até sua seção eleitoral e votaram — afirmou.

Moraes falou com a imprensa em meio às denúncias de que a Polícia Rodoviária Federal está realizando operações, principalmente em cidades do interior do Nordeste, mirando o transporte de eleitores.

Neste domingo, o presidente do TSE cobrou explicações do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, pelos relatos de que as ações da corporação estavam afetando o a chegada de eleitores em suas seções de votação. Vasques avisou a Moraes que as operações serão suspensas.

Ontem, o ministro já havia feito um alerta por meio de suas redes sociais de que coação eleitoral é crime.

"Eleitoras e eleitores, o momento de digitar seu voto na urna eletrônica é sagrado, inviolável é individual. Não permitam nenhum tipo de coação, ameaça ou oferecimento de benefícios para constranger sua liberdade de votar. Assédio eleitoral é crime. Denuncie", escreveu.

Alexandre de Moraes proibiu qualquer operação da PRF relacionada ao transporte de eleitores. Também vedou a divulgação do resultado de ações relacionadas ao processo eleitoral.

Outro episódio que gerou protestos, principalmente de apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi a investida da deputada Carla Zambelli (PL-SP), com uma arma em punho, contra um homem negro que se dizia eleitor de Lula. Com uma pistola, a parlamentar correu atrás dele neste sábado pela ruas do Jardins, em São Paulo, após uma discussão.

Ainda na noite de sábado, o policial militar que a acompanhava, foi preso por disparo de arma de fogo. No meio da confusão, também armado, o PM deu um tiro para cima. Todos, inclusive o jornalista Luan Araujo, que foi perseguido pela deputada, foram conduzidos para o 78º DP e prestaram depoimento.