Moraes se reúne com procuradores para investigar se bloqueios foram financiados

Para Moraes, é mais importante identificar os financiadores do que descobrir quem são os caminhoneiros que foram às ruas (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Para Moraes, é mais importante identificar os financiadores do que descobrir quem são os caminhoneiros que foram às ruas (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Moraes se reunirá com procuradores de Justiça de SP, ES e MG;

  • No encontro, ministro pedirá que Ministérios Públicos estaduais investiguem bloqueios nas estradas;

  • Suspeita é de que protestos antidemocráticos foram financiados.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, se reunirá nesta terça-feira (8) com procuradores de Justiça de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.

O intuito é pedir que os Ministérios Públicos estaduais investiguem se os bloqueios nas estradas, feitos por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) que não aceitaram a derrota do presidente, foram financiados.

A reunião foi solicitada por Moraes na terça-feira (7) após o procurador Frederico Paiva, do Ministério Público Federal no Distrito Federal, dizer que há indícios de que os protestos foram planejados e tiveram estrutura financeira.

“Tinham cobertura por trás. Ninguém abre mão de trabalhar por todo esse tempo se não há cobertura financeira por trás”, apontou ao portal g1.

Assim como Paiva, Moraes entende que é mais importante identificar os possíveis financiadores do que descobrir quem são os caminhoneiros que foram às ruas.

Eventual omissão

De acordo com o procurador, o Ministério Público Federal também investiga se houve “motivação política” em eventual omissão da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nos bloqueios ilegais e antidemocráticos.

Paiva aponta que o questionamento gira em torno de uma “suposta falta de ação logo após o resultado eleitoral, quando começaram esses bloqueios em rodovias federais.

"A gente quer saber se por trás dessa omissão da PRF, omissão pelo menos nas primeiras horas, primeiro dia de bloqueio, tem alguma motivação política. Essa é uma das vertentes da investigação”, afirmou.

De acordo com levantamento do jornal Folha de S. Paulo, a PRF não aumentou o número de agentes efetivos na segunda-feira (31), quando começaram os bloqueios nas estradas. O número de policiais em exercício foi semelhante ao das outras segundas de outubro.

A quantidade de efetivos só subiu na terça-feira (1º), após determinação de Alexandre de Moraes.

Ele ordenou a “imediata desobstrução de estradas” interditadas pelos protestos e afirmou que a PRF não estava “realizando sua tarefa constitucional e legal”.