Moraes, do STF, prorroga inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

Aguirre Talento
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BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu, nesta sexta-feira, prorrogar por mais 90 dias o inquérito que apura suposta interferência indevida do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, aberto após acusação do ex-ministro Sergio Moro de que o presidente pressionou pela troca do superintendente do Rio de Janeiro.

A investigação, entretanto, está paralisada até que o STF finalize o julgamento sobre o formato do depoimento do presidente. O antigo relator do caso, o ministro Celso de Mello, votou para que Bolsonaro tenha que prestar depoimento pessoalmente, mas a defesa do presidente pediu dispensa do depoimento e argumentou que ele poderia ser por escrito. O julgamento foi adiado e nunca mais foi retomado.

Como será necessário realizar diligências ainda dentro do inquérito, Moraes despachou pela prorrogação. "Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações, a partir do encerramento do julgamento do agravo regimental iniciado pelo plenário em 8/10/2020, bem como a proximidae do recesso, nos termos previstos no art. 10 do Código de Processo Penal, prorrogo por mais 90 dias", escreveu.

O depoimento do presidente deve ser uma das últimas diligências do caso. Depois disso, a PF deve finalizar o relatório que apontará se Bolsonaro cometeu algum crime ou se não há indícios de crime. O GLOBO mostrou que investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) consideravam que já havia indícios suficientes para caracterizar o crime de advocacia administrativa, que é o patrocínio de interesses privados dentro da administração pública.

Na época dos fatos, em maio do ano passado, Bolsonaro decidiu demitir o diretor-geral da PF Maurício Valeixo, homem de confiança de Moro, e afirmou em mensagem que um dos motivos para a troca era o fato de as investigações do inquérito das fake news estarem chegando a bolsonaristas. Por não aceitar a demissão do aliado, Moro decidiu pedir exoneração do cargo de ministro da Justiça e rompeu com Bolsonaro na ocasião.