Morales está no Peru enquanto Castillo é questionado por considerar conceder à Bolívia acesso ao mar

O ex-presidente boliviano Evo Morales chegou nesta quinta-feira (17) ao Peru, na véspera de um debate por uma comissão do Congresso sobre uma acusação de traição à pátria pelo presidente Pedro Castillo, por considerar a concessão de uma saída ao mar à Bolívia.

Morales esteve na cidade de Puno, onde fez uma palestra e recebeu uma condecoração de uma universidade local.

"É uma grande satisfação estar juntos como irmãos, o Peru e a Bolívia. Somos uma família, só nos divide a linha (da fronteira) em razão da fundação das repúblicas", disse Morales na sede do governo regional.

Ele foi recebido com aclamações em língua quechua por simpatizantes, que gritavam em uníssono "Viva Evo!".

A visita a Puno, uma região que abriga a nação Aymara, ocorre enquanto a Comissão Permanente do Congresso se prepara para discutir e votar na sexta-feira uma acusação contra o presidente esquerdista Castillo.

Se a comissão, formada por 18 parlamentares, recomendar a acusação de Castillo e sua inelegibilidade por cinco anos, o caso passa para o plenário do Congresso, que o debaterá em data a ser determinada.

O plenário do Congresso é a única instância que pode decidir o destino do presidente, que foi eleito no ano passado para governar até julho de 2026.

A denúncia de "traição à pátria" se baseia em uma entrevista de Castillo à CNN em espanhol, de janeiro, em que ele não descartou facilitar o acesso ao mar da Bolívia caso a população optasse por isso por meio de uma consulta popular.

Depois da guerra do Pacífico (1879-1884), em que Peru e Bolívia estiveram de um lado e o Chile do outro, o Peru perdeu suas duas regiões mais ao sul - Arica e Tarapacá - e a Bolívia seu acesso ao mar.

O relatório parlamentar afirma que a declaração de Castillo "violaria mandatos constitucionais". Porém, alguns especialistas consideram que não há base legal para tentar a destituição presidencial por tal motivo.

Castillo, que assumiu o cargo em julho de 2021, sobreviveu a duas tentativas de impeachment do Congresso e enfrenta seis investigações fiscais por suposta corrupção.

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